SÃO PAULO — A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal formou maioria nesta terça-feira (8) para manter o afastamento de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. A análise foi suspensa depois que o ministro Gilmar Mendes pediu vista. A decisão inicial havia sido tomada pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, apoiou a medida e relacionou o episódio à disputa política com Luiz Inácio Lula da Silva, que indicou Andrei para a direção da PF. Em uma rede social, o senador afirmou: "[O] Grupo especial de Lula na Polícia Federal desmascarado oficialmente". Ele também defendeu que a corporação volte a atuar com autonomia e não investigue adversários políticos de Lula.
Flávio disse que Mendonça teria sido monitorado de forma ilegal pela Polícia Federal e destacou a proximidade entre o ministro e Andrei. Em outra publicação, descreveu o diretor-geral como aliado e indicado de Lula, além de acusá-lo de liderar investigações clandestinas contra um ministro do STF.
Mais tarde, em seu canal no YouTube, o senador mencionou os votos de Kassio Nunes Marques e Luiz Fux a favor da decisão de Mendonça. Para Flávio, a manifestação dos ministros indicaria uma mudança no ambiente do Supremo e nas ruas.
A crise envolvendo o STF começou há uma semana, quando Mendonça tornou públicas conversas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, incluindo uma mensagem em que o banqueiro perguntava se deveria deixar o país antes de ser preso, em 2025. Não há informação sobre a resposta de Moraes.
Desde então, políticos bolsonaristas passaram a associar Lula à crise da corte e a criticar Moraes, visto por esse grupo como adversário de Jair Bolsonaro. Flávio também acusou o presidente de usar a PF, a Procuradoria-Geral da República e os ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin para perseguir Bolsonaro e seus aliados.
Na segunda-feira (7), durante o ato de 7 de Setembro em São Paulo, Flávio afirmou que pretendia acabar com o consórcio entre Lula e Moraes. No carro de som, disse: "Quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes".
O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio, declarou que a decisão de Mendonça deveria ser celebrada e defendeu uma investigação ampla sobre o possível monitoramento de autoridades e adversários pela estrutura da PF.
Carlos Bolsonaro (PL-SC) também cobrou respostas sobre a acusação de monitoramento ilegal. Já o senador Carlos Viana (PSD-MG) questionou quem ordenou, executou e recebeu as informações, além de pedir a prisão preventiva de Andrei.


