SAXÔNIA-ANHALT — A Alternativa para a Alemanha (AfD) precisa conquistar apenas três parlamentares para eleger seu candidato a governador no estado. O partido obteve 39 dos 83 assentos da Assembleia Legislativa, enquanto são necessários 42 apoios para alcançar a maioria absoluta.
A votação de domingo (6) não produziu uma maioria capaz de formar governo sozinha. Com 43,8% dos votos, a AfD anunciou que tentará construir uma coalizão majoritária, embora tenha negado essa possibilidade até a noite da eleição. A chegada da extrema direita ao comando de um estado alemão seria inédita desde a Segunda Guerra Mundial.
AfD tenta atrair adversários
O copresidente da AfD, Tino Chrupalla, afirmou nesta segunda-feira (7) que a legenda procurará todas as forças políticas. "Faremos propostas de diálogo a todos os partidos. Aí veremos quem rejeita nossa mão estendida", disse à emissora pública ARD.
O principal alvo inicial deve ser a União Democrata Cristã (CDU), que ficou em segundo lugar. O partido recebeu 17,2% dos votos e conquistou 15 assentos, uma redução de 19,9 pontos percentuais em relação à eleição de 2021. A AfD, por outro lado, avançou 23 pontos.
Durante a campanha, todos os partidos haviam rejeitado uma aliança com a AfD. Esse compromisso, conhecido como cordão sanitário, pode ser pressionado pelo resultado eleitoral: o apoio de apenas uma legenda seria suficiente para dar ao partido condições de liderar uma coalizão.
A AfD nunca comandou um governo estadual. Na Saxônia-Anhalt, seu diretório é classificado por autoridades de inteligência como uma organização extremista de direita. Chrupalla pediu que a CDU reavalie sua posição, enquanto o candidato da AfD ao governo, Ulrich Siegmund, disse que já há conversas com grupos parlamentares e deputados individualmente.
BSW pode definir o resultado
A Aliança por Justiça Social e Racionalidade Econômica (BSW), ligada à ex-comunista Sahra Wagenknecht, tornou-se uma peça central nas negociações. O partido recebeu 5,3% dos votos e elegeu 5 deputados na primeira disputa estadual na Saxônia-Anhalt, superando por pouco a barreira de 5% necessária para entrar no Parlamento.
A BSW compartilha com a AfD posições restritivas sobre imigração e favoráveis à Rússia. Durante a campanha, indicou que poderia viabilizar um governo liderado pela extrema direita. Nesta segunda-feira, afirmou que não pretende bloquear a AfD na votação para governador e defendeu um novo começo político.
AfD e BSW somam 44 assentos. A formação de uma coalizão entre as duas legendas, ou o apoio da BSW a um governo minoritário, ainda depende das negociações.
Alternativa para os demais partidos
Os outros partidos que entraram na Assembleia precisariam formar uma aliança ampla para impedir a vitória da AfD. A composição mais provável reuniria CDU, Partido Social-Democrata (SPD) e Verdes, que juntos têm 31 assentos. O A Esquerda teria de apoiar esse arranjo para que a aliança alcançasse 39 votos.
A CDU já rejeitou incluir o A Esquerda na coalizão, mas o partido se mostrou disposto a negociar seu apoio. Sem essa formação, a BSW voltaria a ser decisiva. A legenda considera a possibilidade de se abster, o que permitiria à AfD vencer uma terceira votação por maioria simples.
Pelas regras estaduais, se duas rodadas não produzirem a maioria absoluta, os deputados decidem se dissolvem o Parlamento. Essa medida também exige 42 votos e levaria a novas eleições. Se o Parlamento não for dissolvido, ocorre uma terceira votação: o candidato com mais votos válidos, sem contar as abstenções, pode ser eleito mesmo sem alcançar 42 apoios e formar um governo minoritário.
Se CDU, SPD, Verdes e A Esquerda fecharem um acordo, os dois possíveis blocos chegariam à mesma contagem de votos, mantendo aberto o impasse político.


