A urna eletrônica transformou a apuração das eleições brasileiras ao substituir um sistema baseado em cédulas, mapas e contagens manuais. As quase 570 mil máquinas usadas atualmente são resultado de 30 anos de desenvolvimento, marcado pela criação de mecanismos de segurança e por testes constantes.
Antes da mudança, a contagem podia se estender por dias e estava sujeita tanto a fraudes quanto a erros provocados pelo cansaço dos escrutinadores e de outros profissionais envolvidos na totalização dos votos. José D’Amico Bauab, pesquisador do Centro de Memória Eleitoral do TRE-SP, afirma que os responsáveis trabalhavam durante dias seguidos na conferência dos resultados.
Fraudes e mudança do sistema
A decisão de alterar o modelo ganhou força nas eleições de 1994. Em Alagoas, votos em branco foram desviados para candidatos. No Amapá e em Roraima, urnas desapareceram e mapas de apuração foram adulterados. No Rio de Janeiro, a quantidade de fraudes levou à anulação da eleição. Até agora, 14 apuradores, mesários e digitadores foram presos.
A urna eletrônica foi criada por um grupo de engenheiros que incluiu militares das Forças Armadas brasileiras. O Tribunal Superior Eleitoral também identificou tentativas de invasão por pessoas que estudavam formas de provocar problemas na votação eletrônica.
Bauab afirma que nenhuma fraude foi detectada com o uso da urna eletrônica nos 30 anos de implementação. Entre os recursos de segurança está o registro digital do voto, que permite comparar, pelo site do TSE, o resultado das totalizações com os boletins de urna.
Apuração mais rápida
O novo sistema também encerrou as recontagens sucessivas e a espera durante a madrugada. Roberto Barbarini, artista plástico e mesário desde 1981, recorda que os erros exigiam novas conferências às 4 ou 5 horas da manhã.
Nas últimas eleições, o resultado saiu em menos de três horas. Para Barbarini, a experiência acumulada como mesário desde os anos 70 sustenta sua confiança na urna eletrônica e na impossibilidade de alteração dos votos.


