O Departamento de Estado dos Estados Unidos já elaborou medidas que podem ser usadas contra autoridades brasileiras, mas ainda não definiu quando elas seriam adotadas. A decisão final caberá a Trump, segundo uma alta autoridade da pasta.
Alexandre de Moraes está entre os ministros acompanhados por Washington. O governo americano também avalia a atuação de outros integrantes do Supremo Tribunal Federal e pretende observar as manifestações e os votos do plenário na sessão extraordinária convocada para o dia 15.
Sessão do Supremo está no centro da avaliação
O presidente do STF, Edson Fachin, convocou o plenário para analisar um relatório da Polícia Federal que aponta Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. O julgamento poderá levar à abertura de uma investigação contra o ministro ou à anulação do documento, que reúne diálogos atribuídos a Moraes e a Vorcaro.
A autoridade do Departamento de Estado afirmou que a pasta considera diferentes instrumentos para impor consequências e pode recorrer ao Departamento do Tesouro. Entre as possibilidades está uma nova aplicação da Lei Magnitsky, mecanismo de sanções financeiras administrado pelo Tesouro.
Moraes foi incluído nas sanções previstas pela lei em julho de 2025. Na ocasião, o Tesouro determinou o bloqueio de eventuais bens sob jurisdição dos Estados Unidos e proibiu, em regra, transações envolvendo o ministro. A medida foi retirada no fim do ano, após uma aproximação entre Lula e Trump.
Pesquisa avaliou efeito eleitoral
Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro estão entre os defensores da retomada das sanções e foram convidados para uma reunião na semana que vem no Departamento de Estado sobre o tema. A alta autoridade ressaltou que não há cronograma definido para a eventual adoção das medidas.
O governo americano também analisou o possível impacto eleitoral de novas sanções. Elaborada em agosto pela McLaughlin & Associates, uma pesquisa ouviu 1.991 eleitores em todo o Brasil. Para 53,3%, a retomada das sanções financeiras contra Moraes não mudaria o voto. Outros 24,7% disseram que ficariam mais propensos a votar em Flávio Bolsonaro, enquanto 18,2% apontaram maior chance de votar em Lula.
Na avaliação apresentada pela autoridade, os resultados diminuíram o receio de que novas medidas favorecessem Lula eleitoralmente. A pesquisa também apontou que 32% dos entrevistados atribuíram a Lula a responsabilidade principal pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, ante 25% que citaram a família Bolsonaro.
Em outra questão, Flávio Bolsonaro teve 44% quando os entrevistados avaliaram quem estaria mais preparado para defender os interesses do Brasil na relação com os Estados Unidos. Lula registrou 41%. A margem de erro foi de dois pontos percentuais para mais ou para menos.


