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Saúde

Como eventos climáticos pressionam a conservação e a distribuição de vacinas

Calor, enchentes e apagões ameaçam a rede de frio e podem interromper campanhas de vacinação em diferentes regiões do país.

Como eventos climáticos pressionam a conservação e a distribuição de vacinas

A conservação das vacinas depende de uma cadeia contínua de armazenamento e transporte, conhecida como rede de frio. Da fábrica aos postos de saúde, os imunizantes passam por câmaras, caminhões refrigerados e geladeiras especiais, sempre entre 2 e 8 graus. A manutenção dessa faixa preserva a potência, a eficácia e a segurança das doses.

Quando a temperatura sai do limite, as proteínas do imunizante podem se modificar e a vacina pode deixar de proteger. As doses expostas não são necessariamente descartadas de imediato: elas são separadas e analisadas conforme o tempo e o calor a que ficaram submetidas, em um processo chamado excursão de temperatura.

Calor, enchentes e falta de energia

A nota técnica do Ministério da Saúde, com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e de outros órgãos, prevê efeitos diferentes do El Niño nas regiões brasileiras. Parte do Norte e do Nordeste pode enfrentar enchentes, enquanto o Sul e o Sudeste podem ter estiagem, queimadas e ondas de calor. Em quase todo o país, a temperatura tende a ficar acima do normal.

O calor aumenta o esforço dos equipamentos para manter as doses refrigeradas. Em caso de apagão, a temperatura interna sobe mais rapidamente, sobretudo quando o ambiente externo está quente. No Norte, rios mais rasos também podem dificultar o transporte por barco e deixar comunidades sem reposição de estoque por semanas.

A enchente que atingiu o Rio Grande do Sul em 2024 mostrou os efeitos de uma interrupção da rede. Postos foram submersos, campanhas pararam e doses foram perdidas. Durante a campanha contra a gripe, equipes levaram a vacinação aos abrigos. Para Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a preparação anterior ao desastre reduz o impacto sobre a cobertura.

Doenças e grupos mais expostos

Enchentes podem favorecer hepatite A e infecções intestinais, enquanto a leptospirose tende a aumentar nas semanas seguintes. O calor contribui para a expansão dos mosquitos transmissores de dengue, zika, chikungunya e febre amarela. Em abrigos cheios, gripe, Covid-19 e sarampo circulam com mais facilidade.

Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas estão entre os grupos mais vulneráveis a interrupções no atendimento. Bombeiros, agentes da defesa civil e voluntários envolvidos no resgate ficam mais expostos a ferimentos, animais e água suja, com riscos de tétano, raiva e hepatite A.

A Gavi afirma que o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) classificou a vacinação como ferramenta de adaptação ao clima. De 375 doenças infecciosas analisadas, 218 podem piorar com o aquecimento.

Medidas de proteção

O Ministério da Saúde recomenda geradores em condições de uso, sensores para monitorar a temperatura, rotas alternativas e locais de reserva para receber as doses se uma central deixar de funcionar. Quando o equipamento se aproxima dos 7 graus, a equipe deve iniciar a transferência, antes que a temperatura chegue aos 8.

As orientações integram o AdaptaSUS, plano do setor de saúde para adaptação à mudança do clima. A proteção, porém, depende também do acesso aos serviços: profissionais podem não conseguir se deslocar, moradores podem não chegar aos postos e escolas podem ser fechadas.

Os especialistas recomendam manter o calendário de vacinação atualizado para reduzir os efeitos de eventuais interrupções. A Gavi informa que o número de desastres ligados ao clima, ao tempo e à água aumentou cinco vezes desde os anos 1970. Para Juarez Cunha, a preparação precisa considerar que os eventos climáticos podem se tornar mais difíceis de administrar.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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