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Saúde

Desconfiança em cientistas aparece ligada ao uso de cloroquina na pandemia

Pesquisa com 9.591 pessoas relaciona o consumo de cloroquina e ivermectina à desconfiança na ciência e aponta diferenças regionais e de renda.

Desconfiança em cientistas aparece ligada ao uso de cloroquina na pandemia
Foto: Folhapress

A desconfiança em cientistas esteve associada a um uso mais frequente de cloroquina e da combinação entre cloroquina e ivermectina durante a pandemia de Covid-19. Entre os participantes que disseram desconfiar dos cientistas, 20,6% relataram ter usado cloroquina, ante 10,1% dos que afirmaram confiar neles. Para a combinação dos dois medicamentos, as proporções foram de 34% e 26,2%, respectivamente.

Os dados fazem parte de um estudo publicado em julho na Revista de Saúde Pública, da Universidade de São Paulo (USP). A pesquisa foi realizada em 2024 por pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e da University of Illinois Urbana-Champaign, nos Estados Unidos. Foram entrevistadas 9.591 pessoas que haviam relatado ao menos uma infecção por Covid, em 133 municípios dos 26 estados e no Distrito Federal.

Entre todos os entrevistados, 63% disseram ter usado algum medicamento para tratar a doença. Antitérmicos foram mencionados por 53,7% e antibióticos, por 36,2%. Já os medicamentos sem eficácia comprovada tiveram a azitromicina como o item mais citado, com 27,2%, seguida por ivermectina, com 23,6%, e cloroquina, com 12,1%.

A azitromicina é um antibiótico destinado a infecções bacterianas. A ivermectina é um antiparasitário indicado contra vermes e outros parasitas, enquanto a cloroquina é usada principalmente na prevenção e no tratamento da malária e em doenças autoimunes, como artrite reumatoide e lúpus.

O estudo também encontrou diferenças conforme a região, o sexo, a renda e a busca por atendimento. O uso de qualquer medicamento foi de 74,1% no Norte, 67,6% no Nordeste e 65,2% no Centro-Oeste, contra 59,2% no Sudeste e 58,7% no Sul. A cloroquina e a ivermectina se concentraram principalmente no Norte e no Centro-Oeste.

Mulheres relataram mais uso de medicamentos em geral que homens, com 67,4% ante 58%. Para a cloroquina, os homens registraram 13,5%, contra 10,7% entre as mulheres. A proporção também foi maior entre quem procurou atendimento médico: 70,5%, ante 46,1% entre os que não buscaram serviço.

Segundo os autores, o resultado pode indicar a influência de prescrições ou orientações médicas inadequadas, embora a pesquisa não diferencie recomendações profissionais do uso por conta própria. O consumo geral alcançou 70,1% entre pessoas com renda inferior a um salário-mínimo e caiu para 55,1% na faixa de cinco salários-mínimos ou mais.

Os pesquisadores associam a disseminação desses medicamentos à promoção de supostas curas pela Presidência da República, então representada por Jair Bolsonaro, pelo Ministério da Saúde, por entidades médicas, líderes evangélicos e influenciadores digitais. Para eles, essa divulgação buscava evitar medidas de isolamento social e transferir ao paciente a responsabilidade pelo próprio cuidado.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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