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Saúde

Luz azul pode não ser a principal questão para o sono

Estudos indicam que a intensidade e o tempo de exposição à luz antes de dormir podem importar mais do que sua tonalidade.

Luz azul pode não ser a principal questão para o sono
Foto: DimaBerlin/Adobe Stock

Uma pesquisa publicada em 2025 com 122.058 adultos constatou que 41% usavam algum tipo de tela todas as noites na hora que antecedia o sono. Apenas 17% disseram não usar telas nesse período. Estudos associam o uso noturno de telas a noites de sono ruim, mas as evidências não apontam de forma clara que a luz azul seja a principal responsável.

O relógio circadiano do cérebro organiza o estado de alerta e a sonolência ao longo do dia. A luz captada por células do olho que contêm melanopsina envia sinais a esse sistema e inibe a produção de melatonina, hormônio relacionado aos processos fisiológicos da noite. A melanopsina é especialmente sensível a comprimentos de onda em torno de 480 nanômetros, faixa correspondente à luz azul.

Isso significa que a luz azul bloqueia a melatonina, mas não permite concluir, por si só, quais são os efeitos da exposição cotidiana. Um estudo publicado em 2015 na revista Proceedings of the National Academy of Sciences comparou 12 participantes que leram um livro eletrônico ou impresso antes de dormir, em um ambiente com pouca luz.

Após quatro horas de leitura, o grupo que usou a tela apresentou uma redução de cerca de 50% na melatonina em comparação com os leitores do livro impresso. Também levou mais tempo para adormecer, mas a diferença média foi de apenas dez minutos.

Outro estudo, publicado em 2016 na Sleep Medicine, reduziu a leitura para duas horas e submeteu os participantes a uma luz branca intensa e constante no teto durante 6,5 horas ao longo do dia. Não foram observadas diferenças entre os grupos nos níveis de melatonina, no início ou na duração do sono.

Russell Foster, neurocientista especializado em ritmos circadianos da Universidade de Oxford, afirma que experimentos de laboratório não devem ser extrapolados automaticamente para a vida cotidiana. Para ele, reduzir a exposição à luz antes de dormir faz sentido, mas isso não equivale a evitar especificamente as frequências azuis. “Quão intensa e por quanto tempo? Nem isso sabemos”, disse Foster.

A eficácia de recursos criados para filtrar a luz azul também permanece incerta. Uma revisão publicada em 2023 na Cochrane Database of Systematic Reviews analisou 17 estudos sobre óculos com esse tipo de lente e não encontrou evidências claras de que eles alterassem o sono. Os programas que filtram a luz azul das telas também apresentam resultados inconclusivos.

A luz branca intensa, independentemente da fonte, pode aumentar o estado de alerta e alterar o relógio circadiano. A intensidade e a duração da exposição, portanto, aparecem como fatores relevantes na avaliação do efeito da luz sobre o sono.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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