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Saúde

Paralisia cerebral exige cuidados que acompanham cada fase da vida

Condição pode afetar movimentos, fala, aprendizado e autonomia, com necessidades que mudam da infância à idade adulta.

Paralisia cerebral exige cuidados que acompanham cada fase da vida

A paralisia cerebral pode exigir mudanças na rotina familiar desde os primeiros anos de vida e continuar demandando acompanhamento na idade adulta. Embora a lesão neurológica não avance com o tempo, seus efeitos podem mudar, com possibilidade de dor, rigidez, alterações no equilíbrio e redução da mobilidade ao longo do envelhecimento.

A condição reúne alterações permanentes provocadas por uma lesão ou mudança no cérebro em formação. O dano pode ocorrer durante a gravidez, no parto ou nos primeiros anos da infância. Infecções maternas como toxoplasmose, rubéola, sífilis e zika podem prejudicar a formação cerebral do feto. No parto, emergências que interrompem a oxigenação do bebê, como descolamento prematuro da placenta e compressões no cordão umbilical, estão entre as principais causas de lesão. Depois do nascimento, infecções graves, como meningite, e pancadas fortes na cabeça também podem desencadear a condição.

Efeitos diferentes em cada pessoa

Anna Dominguez Bohn, pediatra e presidente do Núcleo de Estudos da Criança com Deficiência da SPSP (Sociedade de Pediatria de São Paulo), afirma que os efeitos variam porque as lesões podem atingir regiões diferentes do cérebro e ter tamanhos distintos. As consequências podem incluir limitações na visão, na audição e no aprendizado, além de crises convulsivas.

Os primeiros sinais costumam aparecer na infância. Entre eles estão atrasos para sustentar a cabeça, sentar e engatinhar, músculos muito rígidos ou flácidos, fraqueza nos braços ou nas pernas, movimentos involuntários e dificuldades de equilíbrio e coordenação. Esses indícios, isoladamente, não confirmam o diagnóstico, que considera o histórico da gestação e do parto, o desenvolvimento da criança e a avaliação clínica.

Aline Messias, 36, conta que seus pais a consideravam “muito molinha”. Ela afirma que eles perceberam que havia algo diferente quando ela não conseguia sentar sozinha e buscaram uma avaliação.

Não há como reverter a lesão que causa a paralisia cerebral, mas a condição não é progressiva. O tratamento depende das necessidades de cada pessoa. Quanto mais cedo começam as intervenções, maiores são as chances de estimular o desenvolvimento e a funcionalidade da criança.

A reabilitação pode envolver fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia, além de consultas com neuropediatras e ortopedistas, acompanhamento visual e auditivo e medicamentos para controlar sintomas como rigidez muscular e convulsões.

Acesso e impacto sobre as famílias

Em 2025, o SUS (Sistema Único de Saúde) realizou mais de 1,1 milhão de atendimentos relacionados à paralisia cerebral, número 13% maior que o registrado em 2022. A Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência oferece reabilitação especializada por meio de 359 CERs (Centros Especializados em Reabilitação).

A distribuição dos serviços e dos profissionais não é uniforme entre as regiões do país, e a falta de especialistas dificulta a continuidade do acompanhamento. Mesmo quando o atendimento está disponível no SUS, as famílias podem ter despesas com deslocamentos e recursos de tecnologia assistiva.

Na saúde suplementar, a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) retirou, em 2022, o limite de sessões de fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia e psicologia para planos regulamentados com cobertura ambulatorial. A regra inclui a paralisia cerebral, mas não obriga as operadoras a oferecer todos os métodos terapêuticos prescritos. Técnicas específicas podem gerar divergências e disputas judiciais.

Um estudo publicado em 2026, com 1.098 pessoas com paralisia cerebral de todas as regiões do Brasil, apontou que 44,7% tinham acesso parcial ou nenhum acesso aos dispositivos de auxílio necessários. O levantamento também mostrou que 67,7% não viviam em casas totalmente adaptadas e que 41,1% pertenciam a famílias com renda mensal inferior a dois salários mínimos.

Aline relata que sua mãe deixou o emprego porque “era muito difícil conciliar o trabalho com a rotina de atendimentos”. Ainda na infância, ela iniciou terapias no Sesi Ipiranga, com um desconto obtido por meio do vínculo profissional do pai com a indústria. Para Aline, o tratamento contribuiu para o desenvolvimento de autonomia em tarefas como amarrar o cadarço e usar talheres.

Transição para a vida adulta

A mudança dos serviços pediátricos para os destinados a adultos é apontada como uma dificuldade por pessoas com paralisia cerebral. Estudos relatam problemas na continuidade do atendimento, no acesso a profissionais especializados e na adaptação às demandas da vida adulta, incluindo a saúde sexual e reprodutiva.

Aline também precisou reorganizar a casa e adaptar tarefas para cuidar do filho Rafael, 3. Ela aprendeu a reconhecer quando precisa de ajuda e, neste ano, levou a criança sozinha ao cinema pela primeira vez. O cuidado deve considerar as necessidades individuais e garantir recursos para que cada pessoa participe das decisões sobre a própria vida e mantenha autonomia nas atividades cotidianas. O Dia Mundial da Paralisia Cerebral, celebrado nesta terça-feira (6), chama atenção para tratamento, inclusão e autonomia.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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