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Saúde

Peste ainda circula e exige diagnóstico rápido para evitar mortes

Transmitida por pulgas, animais ou gotículas, a doença pode matar em até 48 horas nos casos pneumônicos.

Peste ainda circula e exige diagnóstico rápido para evitar mortes
Foto: John Montenieri/CDC/BSIP/picture alliance

A peste continua existindo, embora seja rara em muitas regiões. Causada pela bactéria Yersinia pestis, a doença pode evoluir rapidamente, danificar tecidos, provocar hemorragias e levar à morte em quase 100% dos casos sem tratamento.

A dificuldade de identificação está associada à falta de especificidade dos primeiros sintomas. Paul Gaylord, no estado americano de Óregon, começou a apresentar sinais semelhantes aos de uma gripe dois dias depois de ser mordido por um gato aparentemente doente. Inicialmente, os médicos prescreveram antibióticos contra a doença da arranhadura do gato, mas os medicamentos não funcionaram. O quadro se agravou, ele foi internado em uma UTI e entrou em coma. Gaylord sobreviveu.

As formas da doença

A peste bubônica, também chamada de peste negra, é a forma mais comum. Pulgas podem transmitir a bactéria depois de picar roedores infectados. No organismo humano, o microrganismo se multiplica nos gânglios linfáticos, que ficam inchados e doloridos.

Na peste septicêmica, a bactéria chega diretamente à corrente sanguínea, como pode ocorrer após a mordida de um mamífero infectado. Já a peste pneumônica atinge os pulmões por gotículas ou aerossóis liberados por animais ou pessoas infectadas. É a única forma em que a transmissão direta entre seres humanos é considerada provável.

Da pandemia medieval aos casos atuais

O Instituto Robert Koch, órgão responsável pelo controle de doenças na Alemanha, registra até 3 mil casos de peste por ano no mundo. As regiões mais afetadas são a República Democrática do Congo, o Uganda e, principalmente, Madagáscar. No país africano, entre 250 e 500 pessoas são infectadas anualmente. Casos também aparecem ocasionalmente no oeste dos Estados Unidos.

Entre 1347 e 1353, a peste matou cerca de 25 milhões de pessoas. A pandemia se estendeu por aproximadamente 500 anos e eliminou cerca de 60% da população europeia. Vestígios da bactéria foram encontrados em esqueletos com mais de 5.500 anos, indicando que sua presença entre humanos é anterior à Idade Média.

As variantes mais antigas não tinham os genes necessários para a transmissão por pulgas. A infecção pode ter ocorrido por outros meios, inclusive pelo consumo de roedores contaminados. No final da Idade do Bronze, o desenvolvimento do gene ymt permitiu a transmissão por pulgas e contribuiu para a expansão dos surtos.

Diagnóstico e risco de novos surtos

A peste desapareceu da Europa após 1945, quando os últimos casos foram registrados na ilha francesa da Córsega. Para o biólogo molecular Holger Scholz, do Instituto Robert Koch, uma das principais razões é a ausência, em geral, de roedores infectados circulando dentro das casas europeias.

Em outras regiões, algumas espécies de roedores desenvolveram resistência e funcionam como reservatórios naturais da bactéria. Por isso, Scholz e sua equipe trabalham com parceiros, inclusive em Madagáscar, para melhorar a infraestrutura laboratorial e acelerar o diagnóstico.

Embora existam antibióticos eficazes, eles podem demorar dias para chegar aos pacientes em algumas localidades. O atraso é especialmente perigoso nos casos de peste pneumônica, que podem matar em até 48 horas após o início dos sintomas.

Scholz considera extremamente improvável uma nova pandemia mundial. A bactéria não se espalha com a mesma facilidade que vírus como o da gripe ou o Sars-Cov-2, e atualmente há antibióticos e padrões modernos de higiene. Especialistas, porém, monitoram as cepas de Yersinia pestis para identificar sua origem e detectar eventual manipulação genética.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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