A principal diferença entre Alexandre Padilha e Cláudio Lottenberg, representantes de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro na formulação de propostas para a Saúde, apareceu nas críticas aos grupos adversários. Nas medidas para o Sistema Único de Saúde (SUS), porém, os dois defenderam ampliar a produção nacional de medicamentos e insumos, usar mais tecnologia e integrar dados da rede pública.
Lottenberg, médico anunciado por Flávio como futuro ministro caso o candidato seja eleito, não criticou a gestão petista. Ele reconheceu que algumas de suas propostas já têm relação com políticas em andamento no Ministério da Saúde e afirmou que a integração de dados é "sequência daquilo que já está em curso". Também classificou o SUS como uma "estrutura vitoriosa" que deve ser aperfeiçoada, sem uma reforma.
Padilha, atual ministro da Saúde, criticou a postura antivacina e os cortes promovidos pelo governo de Jair Bolsonaro em recursos de programas como o Farmácia Popular. Ele não citou Lottenberg. Interlocutores do ministro afirmam que os dois mantêm uma relação amistosa e lembram que Lottenberg chegou a ser especulado como candidato a vice na chapa de Padilha na campanha para a Prefeitura de São Paulo, em 2014.
Propostas para a rede pública
O encontro, realizado nesta terça-feira (8) pelo canal Amado Mundo, reuniu representantes de campanhas à Presidência para discutir políticas para o setor até 2030. Cada assessor teve 20 minutos para expor suas ideias, sem debate entre os participantes ou perguntas da plateia.
Padilha afirmou que uma eventual reeleição de Lula deve consolidar políticas em andamento, entre elas o programa Agora Tem Especialistas. Segundo o ministro, a iniciativa substitui o pagamento fragmentado por procedimento por um valor destinado ao conjunto de serviços, do diagnóstico e da consulta a outras etapas do atendimento.
Ele também propôs ampliar o uso de carretas em regiões remotas e fortalecer uma rede nacional de cuidado do câncer. Entre as medidas citadas estão a expansão de protocolos para mulheres na menopausa e idosos em cuidado domiciliar, além da incorporação definitiva ao SUS das canetas emagrecedoras.
Lottenberg defendeu o uso de inteligência artificial para organizar filas, como a de transplantes, e o aproveitamento de bases de dados para localizar pacientes com vacinas e exames atrasados. Também afirmou que informações sobre o mapeamento genético da população brasileira podem reduzir o desperdício de recursos com medicamentos baseados em dados estrangeiros.
O médico propôs ainda ampliar a fabricação local de medicamentos e insumos para garantir a "segurança nacional" em períodos de crise. Como exemplo de fragilidade do parque fabril, citou a falta de respiradores em cidades como Manaus (AM) durante a pandemia da Covid-19.
Ideias de outras candidaturas
Luiz Henrique Mandetta, que representou Ronaldo Caiado, defendeu dividir o SUS em regiões de saúde, com planejamento e distribuição de recursos para áreas de 1 milhão a 1,5 milhão de habitantes. A proposta, segundo ele, ajudaria a organizar o uso de emendas parlamentares, hoje "jogadas ao vento" em municípios. Mandetta também pediu uma discussão mais aprofundada sobre o vício em apostas.
Felipe Roth, da candidatura de Renan Santos, apresentou o projeto "SUS fila zero", com organização da fila segundo indicadores como gravidade da doença e impacto funcional. O plano também prevê reajustar o piso da saúde pela inflação, em vez de usar o mínimo de 15% da Receita Corrente Líquida, e manter a vacinação acima das metas.
Adriana Ventura, deputada federal pelo Novo-SP e responsável pelas propostas de saúde de Romeu Zema, defendeu contratar espaços ociosos em hospitais privados e aprimorar a gestão dos recursos transferidos pela União. Ela criticou a aplicação atual das emendas parlamentares e apoiou o pagamento dos serviços do SUS conforme o desfecho clínico, e não pelo volume de procedimentos.
A candidatura de Augusto Cury não enviou representante ao evento.


