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Saúde

Uso de psicotrópicos na infância exige revisão contínua e cuidado com combinações

Especialistas defendem investigação ampla, acompanhamento dos efeitos e retirada gradual quando indicada para evitar tratamentos desnecessários ou inseguros.

Uso de psicotrópicos na infância exige revisão contínua e cuidado com combinações

A combinação de diferentes psicotrópicos e a retirada sem orientação estão entre os principais pontos de atenção no tratamento de crianças e adolescentes. Especialistas defendem que cada caso seja reavaliado regularmente, considerando o diagnóstico, o medicamento utilizado, a dose, o tempo de tratamento e as características do paciente.

A farmacêutica Ana Paula Gondim, professora da Universidade Federal do Ceará e coordenadora do MeMeCri (Melhores Medicamentos para Crianças), afirma que ainda não existem, no Brasil, protocolos validados para reduzir as doses desses medicamentos na infância. A interrupção abrupta pode causar problemas, especialmente quando o remédio está associado a sintomas de abstinência.

Combinações e retirada dos medicamentos

Um estudo observacional retrospectivo publicado em 2024 no Journal of Pediatrics analisou dados de 10 anos de 302 crianças e adolescentes que iniciaram terapia comportamental intensiva. Do grupo, 68,2% utilizavam mais de um psicotrópico. Os diagnósticos mais citados foram TDAH e transtorno de ansiedade, além de situações com comportamentos autolesivos.

Thiago Pedrosa, psiquiatra especialista em infância e adolescência do Espaço Einstein de Bem-estar e Saúde Mental, ressalta que o uso simultâneo não caracteriza, por si só, uma conduta inadequada. Dois medicamentos podem ter indicações diferentes ou fazer parte de uma transição de tratamento. O risco aparece quando novos sintomas levam automaticamente à inclusão de outra receita, em um processo que ele chama de “prescrição em cascata”.

Claudio Schvartsman, pediatra do Einstein Hospital Israelita, afirma que o pediatra deve integrar as informações dos profissionais envolvidos e conversar com a família. A introdução sucessiva de medicamentos, a ausência de melhora clínica e o uso de um remédio para compensar efeitos adversos de outro são situações que justificam uma nova avaliação do diagnóstico.

A redução precisa ocorrer passo a passo. Um estudo publicado em 2024 na Frontiers in Child and Adolescent Psychiatry, com a experiência de oito médicos especializados na retirada de psicotrópicos de crianças e adolescentes com necessidades complexas, apontou quatro aspectos para a desprescrição: revisar os medicamentos, escolher o momento adequado, reduzir gradualmente e envolver a criança e a família.

O que deve ser investigado

Agitação, irritabilidade, dificuldade de concentração e mudanças no sono ou no humor podem ter outras explicações. Privação de sono, conflitos familiares, dificuldades de aprendizagem, bullying, excesso de estímulos eletrônicos, alterações da tireoide, anemia e deficiência de ferro estão entre os fatores citados por Schvartsman.

Para Pedrosa, é necessário observar há quanto tempo o comportamento existe, em quais ambientes ocorre, qual é sua intensidade e como afeta a criança e a família. Noites mal dormidas podem elevar a desatenção, a impulsividade e a irritabilidade, levando a uma investigação equivocada de Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).

Isso não elimina a indicação de psicotrópicos quando há um transtorno psiquiátrico. Pesquisa do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde estima que cerca de 20% dos jovens entre 10 e 19 anos enfrentam algum tipo de transtorno mental no Brasil. Depressão grave, bipolaridade, psicose e TDAH podem prejudicar a aprendizagem, as relações, a autoestima e a segurança quando não tratados.

Os especialistas também destacam que os medicamentos não formam um grupo uniforme. Estimulantes, antidepressivos, estabilizadores de humor, antipsicóticos e benzodiazepínicos têm perfis distintos. Revisões publicadas em 2018 e 2021 associaram diferentes classes a efeitos como ganho de peso, sedação, alterações metabólicas, mudanças no crescimento e possível aumento do risco de diabetes.

Os benzodiazepínicos, como clonazepam e alprazolam, têm uso restrito na psiquiatria infantil. Podem causar sonolência, lentidão dos reflexos e da atenção, indisposição, prejuízos cognitivos e, em alguns casos, mais agitação. O uso contínuo também pode levar à tolerância e à dependência. Segundo Pedrosa, a indicação deve ser excepcional e limitada no tempo.

Uma revisão publicada em 2025 na Pediatric Drugs apontou a necessidade de estudos longos sobre os efeitos dos psicotrópicos no desenvolvimento cerebral. A infância e a adolescência são fases de maturação intensa, e ainda é difícil separar alterações relacionadas aos medicamentos daquelas provocadas pelo próprio transtorno psiquiátrico.

Gondim também relata uma média de 22 meses de uso observada em centros de atenção psicossocial infantil de Fortaleza (CE). Para ela, a escassez de pesquisas sobre a efetividade e a segurança do uso crônico reforça a necessidade de monitoramento, formação específica dos profissionais, participação da família e reavaliações periódicas.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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