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Saúde

Regras do CFM ampliam pressão sobre médicos nas redes sociais

Profissionais divergem sobre o uso de plataformas digitais, enquanto o CFM recebe denúncias sobre publicações fora das normas.

Regras do CFM ampliam pressão sobre médicos nas redes sociais
Foto: Pixabay/Pixabay

A regulamentação do Conselho Federal de Medicina (CFM) para a presença profissional nas redes sociais passou a estabelecer critérios específicos depois de março de 2024. A norma trata da divulgação de procedimentos, do uso de imagens de pacientes e de promessas sobre resultados. Publicações que descumprem as regras podem levar a notificações e, em alguns casos, a Processo Ético-Profissional.

O segundo secretário do CFM, Estevam Rivello, afirma que os processos relacionados a irregularidades nas redes sociais superaram os registros de erros em procedimentos médicos ou de falta de assistência aos pacientes, que antes eram os casos mais comuns. O conselho, porém, informa que ainda não possui um levantamento nacional sobre esses processos.

O que pode ser divulgado

Para publicar imagens e resultados de procedimentos, o médico precisa preservar a identidade do paciente e explicar as condições da intervenção. Devem constar informações como indicações, fatores que influenciam os resultados e possíveis complicações.

Também são proibidas promessas de resultado, informações falsas e a atribuição de eficácia privilegiada a técnicas ou equipamentos. Elogios feitos por pacientes ou terceiros e compartilhados pelo profissional passam a ser considerados publicações do médico, ficando sujeitos às mesmas exigências.

Em geral, os profissionais são notificados e fazem as correções solicitadas. Muitos afirmam que contrataram agências de marketing que produziram conteúdos em desacordo com as regras da categoria.

A médica e publicitária Katiuscia Fogaça, que integra a Comissão de Divulgação de Assuntos Médicos do Conselho Regional de Medicina do Paraná, afirma que a regulamentação era uma demanda frequente antes de 2024. Para ela, a internet se tornou uma forma importante de apresentação profissional, em razão das mudanças nas relações sociais e no contato virtual.

Presença digital não é consenso

A quantidade de médicos com perfis no Instagram e no TikTok não foi levantada pelo CFM. Rivello explica que os cadastros do conselho não exigem que os profissionais informem suas próprias mídias sociais. A entidade tentou criar um selo específico para médicos, mas a Meta, proprietária do Instagram, do WhatsApp e do Facebook, não atendeu ao pedido.

Enquanto alguns profissionais tratam as redes como parte da rotina de divulgação e recorrem a empresas especializadas, outros preferem não participar dessas plataformas. O dermatologista Emerson Vicente Alves, 53, está nesse segundo grupo. Ele afirma que só teve uma rede social, o Orkut, extinto em 2014, e não mantém perfis profissionais.

Alves atua em uma especialidade cujos conteúdos sobre procedimentos estéticos estão entre os mais difundidos nas plataformas. Ainda assim, considera que vídeos curtos nem sempre conseguem transmitir a explicação e a cautela exigidas pela medicina. Ele também questiona a terceirização do contato com pacientes e diz que não teria tempo para produzir vídeos diariamente, responder 400 perguntas no Instagram e atender no consultório.

O dermatologista atende na região do Itaim Bibi, em São Paulo (SP), e relata que recebe funcionários de empresas de tecnologia próximas ao consultório. Segundo ele, muitos chegam por indicação de colegas, mesmo sem encontrar um perfil profissional na internet. Pacientes também costumam perguntar por que ele não está no Instagram. “Já faz mais de dez anos que escuto que tenho que fazer um Instagram”, afirma.

Médicos mais jovens e divulgação

A presença nas redes não se limita às áreas de dermatologia e cirurgia plástica. Psiquiatras, ortopedistas, nutrólogos e endocrinologistas também usam as plataformas para divulgar informações e tentar ser encontrados por novos pacientes. Fogaça relaciona esse movimento à demanda por profissionais e à necessidade de fortalecer a própria marca, sobretudo entre médicos que atendem em clínicas particulares.

Emilio Abelama Neto, 31, concluiu a residência médica em psiquiatria no início de 2023 sem considerar a criação de perfis profissionais. Ele mantém apenas uma conta pessoal no Instagram, não tem o aplicativo no celular e critica a dinâmica de plataformas orientadas pela propaganda e pelo tempo de permanência dos usuários.

Neto afirma que pacientes e médicos podem manter contato por WhatsApp ou ligação telefônica. Embora reconheça que colegas da psiquiatria usam as redes para conquistar novos pacientes, ele aponta a existência de conteúdos de baixa qualidade e de publicações que acabam assumindo caráter comercial.

Desinformação no atendimento

Sofia Moreira, 31, médica de família e comunidade no Sistema Único de Saúde, diz que parte das consultas é ocupada pela necessidade de corrigir informações divulgadas por médicos nas redes. Ela critica conteúdos sem base científica e soluções simplificadas para problemas complexos, mas ressalta que também existem publicações corretas e úteis.

Moreira não tem redes sociais e não planeja usá-las profissionalmente enquanto estiver no SUS. Ela admite, porém, que poderia criar um perfil caso migrasse para uma clínica, ainda que sem disposição para isso. A médica defende que as plataformas sejam usadas para compartilhar informações e promover saúde com base em evidências, e não apenas para atrair pacientes.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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