Sérgio Augusto Queiroz Norte morreu em 12 de setembro, aos 72 anos. Professor de história da Unesp de Assis, dedicou sua trajetória ao estudo dos movimentos sociais, especialmente do anarquismo, e influenciou gerações de alunos no interior paulista e participantes de encontros anarquistas no Brasil e em outros países.
Nascido em Mogi das Cruzes, Norte se mudou ainda jovem para Santos, cidade que adotou e onde voltou a morar depois da aposentadoria. Antes de ingressar na faculdade em São Paulo, foi intercambista nos Estados Unidos, onde se aproximou da contracultura. Mais tarde, estudou na Escola de Sociologia e Política de São Paulo.
Antes de ser aprovado no concurso da Unesp, lecionou inglês em cursinhos pré-universitários e criou um curso com fitas cassete e material mimeografado baseado em músicas dos Beatles e dos Rolling Stones. Na universidade, foi chefe do Departamento de História, orientou trabalhos de pós-graduação e organizou e publicou livros e artigos. Também recebeu a bolsa Fulbright e passou dois anos como professor visitante na Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos.
Militância e interesses
Norte militou no movimento estudantil contra a ditadura e foi preso e torturado após a invasão da PUC-SP, em 1977. Naquele ano, esteve no Morumbi para assistir ao Corinthians deixar uma espera de 23 anos pelo título.
Anarquista, libertário e defensor da autogestão, estudou a experiência anarquista de Barcelona durante a Guerra Civil Espanhola, cidade que visitou algumas vezes. Nas últimas décadas, aproximou-se do movimento negro, frequentou os Filhos de Gandhi, no Rio, e terreiros de candomblé e umbanda. Em uma de suas últimas palestras, no Centro de Cultura Social, em São Paulo, afirmou que “o anarquismo brasileiro precisa se aquilombar”.
Leitor de livros em diferentes idiomas, mantinha milhares de volumes em seu apartamento e colecionava discos de artistas como Racionais MC's e Erik Satie, além de obras de rock, jazz, samba e MPB. Também era próximo de jovens, crianças e cachorros.
Norte deixa a ex-companheira Ângela, os filhos Janaina, Diego e Carolina e seis netos. Era pai e avô presente e não seguia nenhuma religião, embora evocasse a imagem da “sopa cósmica” em seus quadros.


