SÃO PAULO — Vivian Rocha Caetano nasceu com 525 gramas e foi diagnosticada, ainda bebê, com atresia de vias biliares, uma doença rara que comprometia o funcionamento do fígado. Há 18 anos, ela recebeu um transplante urgente, tendo o próprio pai, Luiz Carlos Caetano, como doador compatível.
A pele amarelada levou a família a buscar exames logo após o nascimento. Vivian precisou ser encaminhada a São Paulo para realizar o procedimento. Depois de três meses de espera, os exames mostraram que os pais poderiam doar parte do órgão, e o pai foi escolhido como doador.
“Descobrir que podia ser doador foi um alívio, porque daí não ia depender de ninguém, só da gente”, disse Luiz Carlos. A mãe, Evanilda Rocha Caetano, acompanhou a cirurgia e relatou a ansiedade durante a espera.
Hoje, Vivian é estudante, tornou-se mãe e deu à luz Gael, de 7 meses. Ao recordar o período do transplante, ela afirma que sente tristeza, mas também alívio por estar bem.
Doação entre vivos e captação de órgãos
A história de Vivian envolve uma doação entre pessoas vivas. Na maioria dos casos, porém, os transplantes dependem da autorização para doação após a morte e do trabalho de equipes especializadas.
A Santa Casa de São Carlos registrou 100% de aceite das famílias entrevistadas. No ano passado, a instituição realizou 11 captações de órgãos. Neste ano, foram registradas seis.
O enfermeiro Tiago Clezer da Silva, coordenador de Enfermagem da UTI, contou que já trabalhou quase 48 horas seguidas em duas captações simultâneas. As cirurgias ocorreram com intervalo de duas a três horas. A unidade também busca certificação para realizar transplantes no próprio hospital.
Pessoas que aguardam um órgão
No Estado de São Paulo, mais de 23 mil pessoas esperam por um transplante. Entre elas está a instrutora de autoescola Rosângela Ester Botelho Caviccioli, que aguarda um rim compatível.
Ela passou a precisar de hemodiálise depois que problemas de pressão alta afetaram seus rins. O tratamento ocorre três vezes por semana, durante quatro horas por sessão. Rosângela conta que sente fraqueza, tontura e queda de pressão após as sessões, mas mantém a fé e a esperança.
No Brasil, a doação de órgãos após a morte depende da autorização da família. A orientação é conversar com os parentes e informar a vontade em vida. Também é possível registrar gratuitamente a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos pelo site oficial, para consulta de equipes médicas e familiares.


