SÃO PAULO — Hospitais públicos administrados por Organizações Sociais de Saúde (OSS) tiveram aumento de 23% na taxa de rotatividade dos leitos, crescimento de 14% na ocupação e redução de 9% no tempo médio de internação. Os dados fazem parte de um estudo sobre 127 hospitais públicos de São Paulo, analisados entre 2005 e 2022.
A pesquisa também registrou queda de 3% na mortalidade geral da população dos municípios que adotaram o modelo. O trabalho foi publicado no The Quarterly Journal of Economics e recebeu o título Public Services Under Private Management.
Indicadores de atendimento
A mudança da gestão direta para as OSS esteve associada a uma alta de 40% nas internações. O aumento foi identificado em cuidados clínicos e cirúrgicos, atendimentos de urgência e tratamentos eletivos. Para os autores, o resultado está relacionado à ampliação do acesso aos serviços, e não à piora das condições de saúde da população.
Os pesquisadores avaliaram a qualidade do atendimento por meio das taxas de mortalidade intra-hospitalar e de readmissão. A primeira análise considerou casos de alta complexidade, nos quais diferenças relevantes de óbitos entre instituições podem indicar problemas no cuidado. Já a readmissão foi usada como medida da eficácia do tratamento inicial, pois novas internações em volume elevado podem estar associadas à alta precoce ou a uma abordagem clínica insuficiente.
De acordo com os resultados, a adoção das OSS não prejudicou esses indicadores. A maior circulação de pacientes pelos leitos também não comprometeu a segurança nem o desfecho clínico dos atendimentos.
Experiência das gestoras
A pesquisa foi realizada por pesquisadores do Insper e da FGV/Eaesp, com dados oficiais do SIH e do Cnes combinados a informações emitidas por conselhos médicos. O levantamento apontou ainda que a flexibilidade para comprar equipamentos e insumos e contratar funcionários produziu melhor custo-benefício para o orçamento público.
Luiz Felipe Fontes, pesquisador e professor de economia do Insper, afirmou que as unidades sob gestão de OSS aumentam o volume de atendimentos e aproveitam melhor a capacidade instalada. Segundo ele, mudanças rápidas na composição das equipes e na aquisição de itens necessários ao funcionamento dos leitos ajudam a explicar o resultado.
Os efeitos, porém, variaram conforme a experiência da entidade responsável. Nos hospitais assumidos por OSS experientes, as admissões cresceram 54%, contra 21% nas instituições geridas por organizações com pouca experiência. A rotatividade dos leitos avançou 40% no primeiro grupo e 3% no segundo. Entre as gestoras menos experientes, os efeitos práticos foram quase nulos.
Fontes disse que as OSS não são a única solução para a saúde pública e que o resultado depende da entidade contratada. O estudo aponta os critérios dos editais e a escolha de parceiros com histórico comprovado de qualidade como elementos centrais para o desempenho do modelo.


