ROMA — O Papa Leão XIV deverá permanecer internado por uma semana após a retirada do lobo inferior direito do pulmão. A cirurgia foi realizada nesta terça-feira (13), no hospital Gemelli, em Roma, e confirmou o diagnóstico de adenocarcinoma de pulmão. O procedimento durou cerca de 90 minutos, não teve complicações e, segundo o boletim médico do Vaticano, o pontífice acordou normalmente e descansa no quarto.
Ainda não foram divulgados o estágio da doença nem o perfil genético do tumor. Essas informações serão obtidas com a análise do material retirado e devem indicar se será necessário tratamento complementar, além de ajudar a escolher os medicamentos mais adequados.
Diagnóstico e características
O adenocarcinoma faz parte do grupo dos cânceres de células não pequenas. Ele se origina nas células que produzem muco nas vias respiratórias e responde por cerca de 40% dos cânceres de pulmão. A doença também pode ocorrer em pessoas que nunca fumaram, embora seja mais frequente entre fumantes.
A suspeita costuma surgir em exames como radiografia ou tomografia de tórax. A confirmação depende de biópsia. PET-CT e ressonância do crânio ajudam a verificar se o tumor se espalhou, enquanto a investigação molecular identifica alterações que podem orientar o uso de terapias específicas.
O cigarro é a principal causa do câncer de pulmão. A fumaça contém mais de 7 mil substâncias, e ao menos 50 podem provocar câncer. Poluição do ar, fumaça de outras pessoas, gás radônio, amianto e exposição ocupacional a sílica, cromo, cádmio, arsênio e fuligem de motores a diesel também estão associados à doença.
Tratamento e prognóstico
Quando a operação é possível, a retirada de um lobo inteiro, chamada lobectomia, é o procedimento padrão. Dependendo do tumor e das condições do paciente, podem ser indicadas quimioterapia, radioterapia, imunoterapia ou medicamentos dirigidos a alterações genéticas.
O prognóstico depende principalmente do estágio, determinado pelo tamanho do tumor, pelo comprometimento dos linfonodos e pela presença de metástases. Em estágio 1A, a taxa de cura passa de 90%; no estágio 2, fica entre 50% e 60%; no estágio 3, a média é de 25%; e, no estágio 4, menos de 10% dos pacientes permanecem vivos após cinco anos.
O Instituto Nacional de Câncer recomenda acompanhamento com exames de imagem a cada três meses nos dois primeiros anos, a cada seis meses até o quinto ano e, depois, tomografia anual.


