Freida McFadden constrói seus thrillers a partir de uma grande reviravolta. A autora afirma que prefere definir esse ponto antes de começar a escrever e compara a criação da trama à solução de um quebra-cabeça de trás para a frente. Se a ideia não funciona, ela muda o rumo da história.
O método ajudou a impulsionar A Empregada, lançado em 2022. O livro transformou McFadden, que já publicava havia quase uma década, em um dos principais nomes do suspense comercial. A adaptação para o cinema, estrelada por Sydney Sweeney e Amanda Seyfried, arrecadou US$ 400 milhões nas bilheterias mundiais, cerca de R$ 2 bilhões e mais de 11 vezes o orçamento de produção.
A autora já vendeu mais de 36 milhões de exemplares no mundo. No Brasil, Nunca Minta, publicado pela Record, aparece entre seus livros mais vendidos. A editora também lançou títulos como A Contadora, A Professora, O Acidente, A Intrusa, A Inquilina e Ala D. A Empregada é publicado pela Arqueiro.
Escrita e relação com o leitor
McFadden diz que controla cuidadosamente as informações oferecidas ao público. “Eu tento não mentir, mas adoro manipular os leitores e suas expectativas”, afirma. Para ela, o narrador não confiável mais eficaz é aquele que omite fatos sem mentir diretamente.
A simplicidade da linguagem também faz parte do projeto. A autora corta descrições e cenas quando avalia que elas prejudicam o ritmo e busca produzir livros que possam ser concluídos em um ou dois dias. Seus romances recorrem a capítulos curtos, ganchos e reviravoltas sucessivas, fórmula associada à chamada ficção pipoca.
McFadden afirma que gostaria de atrair pessoas que não têm o hábito de ler. Ela recebe mensagens de leitores que dizem ter voltado aos livros depois de conhecer sua obra e considera que esse é o caminho que escolheu, sem a intenção de escrever algo nos moldes de Guerra e Paz.
Médica e autora
O nome civil de McFadden é Sara Cohen, médica especializada em reabilitação e neurocirurgia. Seus primeiros romances se aproximavam desse universo profissional. The Devil Wears Scrubs, de 2013, acompanha uma jovem médica, enquanto Brain Damage trata de uma mulher em recuperação de uma lesão cerebral. Os dois títulos ainda não foram publicados no Brasil.
A formação médica facilita a pesquisa sobre ferimentos e doenças, mas não elimina a necessidade de consulta. McFadden afirma que o conhecimento profissional também lhe dá segurança para tomar liberdades poéticas e fazer a trama funcionar. Robin Cook, autor de Coma e Cérebro, foi uma influência de sua adolescência.
A autora começou a publicar de forma independente na Amazon em 2013 e lançou 33 títulos, com média superior a dois livros por ano. Depois de quase nove anos nesse modelo, teve os direitos de A Empregada adquiridos pela Bookouture, em 2022. No ano seguinte, assinou com a Sourcebooks um contrato de sete livros.
A identidade de Sara Cohen só foi revelada publicamente cinco meses antes da entrevista. Ela, porém, continuou preservando parte da vida pessoal e não respondeu a perguntas sobre a separação entre sua identidade civil e a persona literária. Um registro de março de 2002 da Universidade de Stony Brook mostra que Sara Ilene Cohen venceu o primeiro prêmio em prosa do quarto concurso de escrita do Institute for Medicine in Contemporary Society, quando era estudante do primeiro ano de medicina.
McFadden diz não saber por que A Empregada superou seus livros anteriores. Segundo ela, já havia uma trajetória de crescimento do público, e A Sete Chaves, que estava entre os primeiros lugares da Amazon quando o romance foi lançado, ajudou a levar leitores à obra. A adaptação dirigida por Paul Feig alterou o desfecho, mudança aprovada pela autora.
O próximo livro é The Witch, sua primeira incursão no thriller histórico, com lançamento previsto para outubro nos Estados Unidos. Sobre o uso de inteligência artificial, McFadden afirma que não utiliza a tecnologia em seu processo de escrita e não acredita que autores devam empregá-la em suas obras.


