SÃO PAULO — A leitura aproximou Lucas Alves Miolla, de 36 anos, da avó paterna, Ana, que não sabia ler. Durante a infância, quando vivia em Presidente Prudente (SP), o escritor lia gibis para ela e encontrou na criação de histórias uma maneira de se expressar.
Aos sete ou oito anos, Lucas se sentava no colo da avó para ler histórias de Chico Bento. A atividade divertia Ana e criou entre os dois uma forma de convivência baseada nos livros. “Eu lia gibis do Chico Bento pra ela, que pirava, dava muita risada”, relembra o escritor.
Segundo Lucas, a experiência também teve impacto em sua relação com a escrita. Tímido na infância, ele passou a criar os próprios gibis para comunicar o que sentia. “Isso me encorajou bastante a criar meus próprios gibis”, afirma.
Lucas viveu em Presidente Prudente até os 24 anos e depois se mudou para a capital paulista, onde mora desde então. Atualmente, tem quatro livros publicados. O mais recente, O que vem depois da glória, apresenta o romance entre a brasileira Ana Terra e o indiano Mohit.
Pesquisa e referências
A ideia para o livro surgiu depois de uma viagem do escritor à Índia, em 2019. Para construir a narrativa, Lucas pesquisou a cultura retratada e buscou informações sobre Jaisalmer, cidade localizada a 18 horas de trem de Nova Deli, capital indiana.
O protagonista estrangeiro foi formado a partir das entrevistas feitas pelo autor durante a viagem. Lucas define sua escrita como um romance intimista, com elementos de realismo fantástico e interesse por regionalismos e folclores. Entre suas influências, cita Clarice Lispector, Haruki Murakami e Gabriel García Márquez.
Além dos livros, o escritor usa o TikTok e o Instagram para compartilhar leituras e recomendações. Ele afirma que as redes sociais ajudam a incentivar o contato com a literatura e observa que os livros continuam circulando tanto em e-book quanto no formato impresso.


