SÃO LUÍS — Durante a noite, moradores de São Luís do século XIX poderiam encontrar pelas ruas uma figura vestida de branco. Sob a iluminação precária dos lampiões a óleo, a aparição alimentava relatos de assombração e se tornou conhecida como Manguda, uma das lendas do folclore maranhense.
A história sobre a origem da lenda, porém, atribui a figura a uma estratégia usada por contrabandistas que atuavam na região do antigo Porto do Genipapeiro, no centro da capital. O objetivo era afastar pessoas do ponto onde mercadorias eram desembarcadas clandestinamente.
Uma aparição para afastar a fiscalização
Produtos importados que chegavam a São Luís estavam sujeitos ao pagamento de tarifas. Para evitar a cobrança, comerciantes recorriam ao contrabando. A área entre a Praça Gonçalves Dias e a antiga Forja do Rio Anil, próxima ao porto, teria sido usada para a movimentação ilegal de mercadorias.
À noite, contrabandistas vestiam lençóis brancos e circulavam pelo local. A escuridão e a pouca iluminação faziam com que a movimentação, vista à distância, pudesse ser confundida com uma assombração. A intenção era espantar curiosos e impedir a aproximação da fiscalização.
A figura ganhou fama e passou a ser chamada de Manguda. A tradição relaciona o nome ao lençol branco de grandes dimensões usado na encenação: as mangas largas e compridas da vestimenta teriam contribuído para o apelido.
Com o tempo, o truque teria sido descoberto, mas a história permaneceu no imaginário popular. Mesmo depois de o contrabando deixar de ser associado à região, a Manguda continuou lembrada como personagem do folclore maranhense.
A lenda também preserva aspectos da vida antiga em São Luís, marcada por ruas pouco movimentadas à noite, iluminação precária e relatos de aparições. A região da Praça Gonçalves Dias continua associada à história da Manguda.


