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Cultura

Paula Siebra transforma ciclos da natureza em pinturas na Casa Iramaia

Individual em São Paulo reúne obras inspiradas por memórias do Ceará, uma residência em Kyoto e poemas ligados à natureza.

Paula Siebra transforma ciclos da natureza em pinturas na Casa Iramaia
Foto: Divulgação

A artista cearense Paula Siebra apresenta a exposição “Pequeno Mapa do Tempo”, sua primeira individual na Casa Iramaia, nos Jardins, zona oeste de São Paulo. As pinturas partem de memórias e vivências para representar ciclos de fertilidade, chuva, celebração, vento e seca em uma paisagem marcada por tons terrosos.

A mostra nasceu de uma residência em Kyoto, onde Siebra conheceu os saijikis, dicionários de palavras relacionadas à natureza usados na composição de pequenos poemas. A experiência organiza a exposição em quatro eixos, que formam um calendário tropical distante das estações do Japão e do hemisfério norte. A pesquisadora Pollyana Quintella assina o texto de apresentação.

O percurso começa com a chuva. No quadro que recebe o público, marcas se espalham sobre um telhado. Outras obras mostram flores brancas em uma planta verde, um caracol entre folhas flutuantes e pedestres em uma rua coberta por neblina, sob nuvens que parecem anunciar uma inundação.

A etapa seguinte aproxima natureza e festas. Uma pintura mostra pessoas correndo sob um céu estrelado, em uma ciranda de fitas coloridas associada às festas juninas. Em outra, jovens carregam um boneco de Judas, referência à tradição de queimá-lo na noite anterior à Páscoa. Há também uma composição com grãos de feijão, cuja colheita motiva eventos no Ceará.

“Alguns elementos da pintura japonesa aparecem muito fortes”, afirma Siebra. Ela cita o vazio, as transições sutis de cor e a disposição dos elementos sem obstruções, em uma imagem que o visitante observa como se lesse um haikai, poema japonês curto.

O terceiro núcleo trata do vento. Uma jangada aparece em meio ao mar agitado, com a vela amarela aberta sobre a tela. Em outra obra, a artista se retrata penteando os cabelos diante de uma janela aberta. Uma palmeira de folhas esparsas ocupa uma praia noturna, acompanhada por uma lua voltada para cima.

Na parte dedicada à seca, formigas se espalham pelo chão, enquanto troncos e uma mulher deitada em uma rede aparecem sobre a terra arrasada. A flor branca do mandacaru, cacto típico do Nordeste, indica a retomada do ciclo.

Siebra também exibe uma planilha digital que combina nomes de animais e vegetais. O arquivo funciona como seu próprio saijiki, ainda aberto a elementos que ela não sabe como representar, como o canto de certos pássaros e referências metafísicas.

“É interessante explorar nossas próprias formas de explorar essas palavras, criar nosso próprio dicionário e vocabulário”, diz a artista. Para ela, a pintura não precisa apresentar um significado fechado nem representar tudo o que o Ceará significa.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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