A alta do petróleo provocada pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã elevou o preço do barril para mais de US$ 100 (R$ 515) e ampliou a pressão sobre governos, empresas e trabalhadores em diferentes regiões. A escassez de combustíveis, as filas nos postos e o aumento dos custos de energia começaram a afetar o transporte e a atividade econômica.
Na Guatemala e na Síria, manifestantes queimaram pneus e carros. Em Portugal, motoristas fizeram protestos com deslocamentos lentos e buzinas depois que o diesel superou US$ 9 (R$ 46,35) por galão. Em Lisboa, as manifestações provocaram congestionamentos em vias importantes, incluindo a Ponte 25 de Abril.
Pressão sobre países asiáticos
Países em desenvolvimento da Ásia, dependentes da energia do Oriente Médio e endividados após medidas adotadas em crises anteriores, enfrentam novas dificuldades. A questão é repassar o aumento à população, com risco de acelerar a inflação, ou ampliar subsídios e auxílios, pressionando a dívida pública e as moedas nacionais.
“Quanta capacidade fiscal a Ásia ou o mundo em desenvolvimento, em geral, têm para administrar essa crise geopolítica?”, questionou Sana Jaffrey, professora da Universidade Nacional Australiana.
Em Makassar, no sul de Sulawesi, moradores relataram falta de gás de cozinha, apagões e racionamento de gasolina. Motoristas empurraram motocicletas com os tanques vazios, enquanto taxistas protestaram contra um sistema baseado nos números pares e ímpares das placas. Em Yogyakarta, estudantes protestaram contra os preços dos combustíveis na segunda-feira (14), mas foram dispersados por organizações pró-governo.
Nas Filipinas, pescadores da Baía de Manila continuaram nos portos por não conseguirem comprar gasolina. Motoristas de ônibus e de aplicativos protestaram em Quezon City. O governo ofereceu pagamentos únicos de cerca de US$ 80 (R$ 412) aos motoristas do transporte público, mas Modesto Floranda, líder de um grupo de 70 mil motoristas e proprietários de ônibus, afirmou: “Não é suficiente”.
No Vietnã, motoristas da Grab convocaram um boicote contra a baixa remuneração, afetada pelo aumento dos combustíveis. Em Bangladesh, que importa mais de 90% do petróleo utilizado, a falta de gás natural liquefeito levou ao racionamento e ao fechamento temporário de fábricas de roupas. Em Gazipur, cortes de energia ocorrem quatro ou cinco vezes por dia.
Decisões sobre preços e subsídios
No Sri Lanka, distribuidores restringiram o fornecimento enquanto aguardavam um aumento da demanda. O governo avalia elevar os preços oficiais e ampliar os subsídios, enquanto a relação entre a dívida e o PIB está entre as mais altas do mundo em desenvolvimento.
Na Síria, o anúncio de aumento temporário de até 40% nos preços da gasolina, do diesel e de outros derivados provocou manifestações em várias cidades. Multidões bloquearam o trânsito e queimaram pneus.
Na Guatemala, trabalhadores do transporte e ativistas indígenas pediram limites de preços, subsídios, suspensão de impostos sobre combustíveis e mudanças em relação aos combustíveis fósseis. Agricultores latino-americanos também demonstraram insatisfação com o custo do diesel usado em tratores.
Naomi Hossain, socióloga política da Universidade de Londres, afirmou que a inflação pode alimentar o populismo e empurrar eleitores para a direita. Para ela, governos de centro parecem ter pouca capacidade de proteger a população desses choques, enquanto alternativas de esquerda não são realistas na maioria dos lugares.


