LISBOA — A Azul pretende continuar parceira da TAP depois da privatização da companhia portuguesa, mesmo com a entrada de um novo investidor e a disputa judicial pelo pagamento de 189 milhões de euros. Fábio Campos, vice-presidente institucional e corporativo da empresa brasileira, afirmou que a Azul tem “total interesse” na continuidade da cooperação, independentemente do vencedor do processo de privatização.
A operação deverá levar um novo sócio a assumir pelo menos 44,9% do capital da TAP. Lufthansa e Air France-KLM estão entre as empresas que trabalham com essa possibilidade. A primeira mantém relações com a concorrente LATAM, enquanto a segunda trabalha com a Gol.
A Azul e a TAP mantêm uma parceria baseada na distribuição de passageiros. A companhia brasileira direciona viajantes para a rede europeia da aérea portuguesa, que, por sua vez, distribui passageiros na rede brasileira da Azul. Campos afirmou que a relação comercial tem muitos anos e que deve continuar.
Cobrança nos tribunais
O valor cobrado pela Azul decorre de um investimento de 90 milhões de euros em títulos da TAP SGPS, feito em 2016. A estatal Parpública aplicou outros 30 milhões de euros, levando o total dos investimentos a 120 milhões de euros.
Em 2020, após a intervenção estatal realizada depois da pandemia de Covid-19, David Neeleman deixou a TAP em troca de 55 milhões de euros. Também foi definido que os títulos deixariam de ser conversíveis em ações. Permaneceram pendentes os pagamentos de 189 milhões de euros à Azul, previstos para março de 2026, e de 63,7 milhões de euros à Parpública, previstos para junho do mesmo ano.
A Azul entrou na Justiça em março, quando o pagamento estava previsto. A empresa busca receber o valor e, em 2024, havia afirmado que pretendia executar garantias vinculadas ao empréstimo, entre elas o programa de milhas da TAP, ou antecipar o recebimento.
Campos disse que o processo “está correndo na Justiça” e que as empresas aguardam uma decisão do tribunal. A TAP sustenta que o financiamento deve ser tratado como suprimento, modalidade que, segundo a companhia, não seria reembolsável nas condições defendidas pela Azul.
Insolvência da Siavilo
A disputa também envolve a TAP SGPS, posteriormente renomeada como Siavilo. Após uma reorganização, a TAP SA ficou com o programa de milhas e empresas como a Portugália, enquanto a Siavilo permaneceu ligada ao empréstimo da Azul, sem ativos, e entrou em insolvência.
A Azul pediu que a insolvência fosse classificada como culposa. No entanto, a TAP informou que os administradores da insolvência recomendaram a classificação como fortuita. Em 10 de julho, o Ministério Público também concluiu que a insolvência deveria ser considerada fortuita, e não culposa. Questionado sobre os pareceres, Campos não comentou.


