O Banco Central realizou nesta terça-feira (15) uma operação simultânea no mercado de câmbio, com venda de dólares à vista e negociação de contratos de swap cambial reverso. A combinação movimentou US$ 1 bilhão em cada uma das pontas e foi feita para ampliar a liquidez do mercado.
No leilão à vista, a autarquia aceitou nove propostas, que somaram US$ 1 bilhão (R$ 5,2 bilhões), com diferencial de corte de −0,000300. No swap reverso, foram aceitas quatro propostas, totalizando 20 mil contratos e US$ 1 bilhão, com taxa de corte de 4,9250.
Operação tem efeito cambial neutro
O swap cambial reverso produz efeito equivalente à compra de dólares no mercado futuro. Por isso, embora a venda à vista aumente a oferta da moeda no dia, a operação conjunta tende a não alterar as cotações, já que o Banco Central vendeu US$ 1 bilhão em uma ponta e comprou o mesmo valor na outra. Investidores chamam esse formato de “casadão”.
Os contratos começam em 16 de setembro de 2026 e vencem em 1º de outubro de 2026. As operações desta terça-feira se somam às intervenções realizadas em 27 de agosto e 10 de setembro, também no valor de US$ 1 bilhão.
Fluxo cambial negativo
A atuação ocorre em um período de saída líquida de dólares. Dados divulgados pelo Banco Central na última quarta-feira (9) mostram saldo negativo de US$ 6,69 bilhões (R$ 34,1 bilhões) do começo do mês até a sexta-feira (4).
Em agosto, a saída líquida chegou a US$ 3,9 bilhões (R$ 19,9 bilhões). No mesmo mês, o saldo de investidores estrangeiros na Bolsa de Valores brasileira ficou negativo em R$ 18,1 bilhões, o pior mês do ano.
Analistas associam o fluxo negativo à volatilidade eleitoral e às preocupações com a trajetória da dívida pública. Também citam o aumento da percepção de risco, a pressão sobre os juros e a menor atratividade dos ativos brasileiros. Em relatório de agosto, o JPMorgan afirmou: “As perspectivas para a política econômica continuam incertas”.
Para Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercado da StoneX, a operação foi realizada para oferecer liquidez diante da demanda por dólares. “O BC intervém quando há disfuncionalidades de oferta e demanda”, disse.
O Banco Central mantém mecanismos de monitoramento para antecipar demandas atípicas e agir preventivamente, evitando grandes disfuncionalidades no mercado.


