O endividamento das empresas de tecnologia passou de cerca de US$ 22 bilhões (R$ 113,5 bilhões) em 2010 para mais de US$ 1 trilhão (R$ 5,16 trilhões) até 2025, informou o BIS (Banco de Compensações Internacionais). A participação dessas dívidas no crédito privado total subiu de 22% para 44% no período. Considerando empréstimos em aberto de qualquer tipo, o montante chega a quase US$ 2,5 trilhões (R$ 12,9 trilhões).
O organismo, que reúne bancos centrais de todo o mundo, afirmou nesta segunda-feira (14) que a valorização das ações associada à inteligência artificial apresenta sinais crescentes de vulnerabilidade. A alta levou as Bolsas globais a dispararem nos últimos dois anos.
Riscos associados à IA
Em relatório, o BIS disse que os investidores estão cada vez mais cautelosos quanto à rentabilidade de novos investimentos em inteligência artificial. A preocupação aumenta à medida que cresce a alavancagem das principais empresas de tecnologia dos Estados Unidos.
Frank Smets, chefe de análise econômica do BIS, afirmou que o movimento ligado à IA impulsionou os mercados acionários e ajudou a sustentar a resiliência da economia global no último ano, mas passou a exibir sinais de vulnerabilidade.
As ações relacionadas à inteligência artificial caíam acentuadamente nesta segunda-feira (14), depois que executivos de várias das principais empresas do setor alertaram no domingo (13) que o desenvolvimento da tecnologia deveria ser desacelerado para evitar ameaças à humanidade.
Smets também apontou que o crescimento rápido da dívida e da alavancagem é o principal motivo de preocupação na área. Ele afirmou que muitos acordos de financiamento são opacos, frequentemente ficam fora do balanço patrimonial e apresentam uma espécie de circularidade.
Finanças públicas e inflação
O relatório descreveu um cenário global incerto para as finanças públicas, sob pressão de tensões geopolíticas e da volatilidade dos preços da energia. As dívidas de centenas de bilhões de dólares emitidas por empresas de IA podem contribuir para elevar os custos de financiamento no mercado de títulos públicos, além das preocupações já existentes sobre a sustentabilidade do endividamento.
Apesar dos riscos, Smets disse que não há sinais gerais de tensão e que o apetite dos investidores por risco permaneceu resiliente nos últimos meses. Para ele, ainda é incerto se essa condição poderá continuar caso persistam as pressões de alta sobre os rendimentos.
O BIS também reiterou o alerta feito na semana passada por seu presidente, Pablo Hernandez de Cos, sobre os riscos da inteligência artificial para a estabilidade financeira.
Outro estudo do organismo usou IA para examinar milhares de discursos e relatórios de bancos centrais. A análise identificou aumento na frequência e na variedade das referências à inflação subjacente, indicador que exclui picos e quedas nos preços da energia. Para o relatório, a maior complexidade das mensagens dos bancos centrais pode dificultar uma comunicação eficaz com o público.


