O Ibovespa subiu 0,54% nesta terça-feira (15), aos 186.503 pontos, impulsionado principalmente pelas ações da Petrobras, que avançaram mais de 3%. A empresa alcançou R$ 693,1 bilhões em valor de mercado, o maior patamar de sua história.
O dólar terminou o dia em alta de 0,14%, cotado a R$ 5,1543. Além do desempenho do petróleo, os investidores acompanharam o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. As decisões de juros esperadas para quarta-feira também concentraram a atenção do mercado.
Relatório da Polícia Federal no STF
O julgamento deve analisar um relatório da Polícia Federal que registra 52 mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro entre 28 de outubro e 17 de novembro de 2025, data da primeira prisão do ex-banqueiro. Naquele período, o Banco Master já era alvo de investigações.
Nas conversas, Vorcaro pede orientação jurídica, marca encontros com Moraes e solicita ajuda para se proteger de investigações. Ainda há dúvidas sobre o alcance da sessão, seus participantes, a votação e a possibilidade de nulidade do documento.
A sessão deve começar com a leitura da ata anterior e as saudações aos ministros. Como relator, Fachin deverá apresentar um resumo dos fatos e delimitar o objeto do julgamento. Depois, a Procuradoria-Geral da República poderá se manifestar, seguida de eventuais sustentações orais. Na sequência, o relator apresentará seu voto, os ministros votarão conforme a ordem regimental e o presidente proclamará o resultado.
A expectativa é que o Tribunal proponha uma apuração sobre o envolvimento de Moraes, mas a decisão sobre investigar ou não a conduta do ministro poderá ser adiada.
Em sua primeira manifestação pública sobre a crise, Moraes negou ter favorecido o Banco Master ou Vorcaro e afirmou que nunca julgou processos envolvendo o banqueiro ou a instituição financeira. O ministro disse ainda que as acusações tentam responsabilizá-lo por anotações produzidas por terceiros e classificou a ofensiva como de motivação "político-eleitoral".
Juros e petróleo
No Brasil, a expectativa é de que o Comitê de Política Monetária faça outro corte da Selic, de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 13,75% ao ano. O nível seria o menor desde janeiro do ano passado. O cenário ocorre após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicar que o IPCA caiu 0,32% em agosto, na maior queda de preços desde 2022.
Nos Estados Unidos, a maioria do mercado espera que o Comitê Federal de Mercado Aberto decida por uma nova alta dos juros. O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, afirmou que a inflação subjacente precisa avançar de forma clara e em velocidade suficiente em direção à meta. "Caso contrário, temos trabalho a fazer", disse durante uma conferência anual do Fed em agosto.
Os preços do petróleo continuaram pressionados pelos temores sobre o suprimento de energia após ataques à infraestrutura da Arábia Saudita. O oleoduto local Leste-Oeste ficou fora de operação, ampliando as preocupações sobre o tempo necessário para reparar a infraestrutura e as rotas de transporte.
Perto das 17h, o Brent subia 2,83%, a US$ 108,67, e o West Texas Intermediate avançava 4,43%, a US$ 105,88. A alta beneficiou as ações da Petrobras.
Mercados internacionais e cenário político
Em Wall Street, o Dow Jones caiu 0,63%, o S&P 500 recuou 0,45% e o Nasdaq Composite perdeu 0,78%. Na Europa, o STOXX 600 caiu 0,3%, para 634,18 pontos. O DAX recuou 0,15%, o CAC-40 perdeu 0,34% e o FTSE 100 caiu 0,37%.
Na Ásia, o SSEC caiu 0,5%, o CSI300 recuou 0,7% e o Hang Seng perdeu 1%. O Nikkei caiu 0,01%, enquanto o Kospi desvalorizou 0,85%.
Os investidores também acompanharam as discussões sobre o futuro da inteligência artificial, depois que executivos defenderam uma desaceleração no avanço da tecnologia para tornar os desenvolvimentos mais seguros.
Na política, uma pesquisa Quaest divulgada na véspera mostrou Lula com 36% das intenções de voto no primeiro turno da eleição presidencial, contra 31% de Flávio Bolsonaro. O levantamento também apontou redução da distância entre os dois no eleitorado feminino.


