As chuvas interromperam operações de carregamento de açúcar no porto de Santos por pelo menos 35 dias entre julho e setembro, segundo dados de corretores de navegação citados por Michael McDougall, analista sênior do setor sucroalcooleiro e consultor da McDougall Global View. Em Paranaguá, no Paraná, foram registradas 30 interrupções no mesmo trimestre.
Os berços de carregamento não são cobertos. Por isso, as operadoras portuárias suspendem o embarque durante a chuva para evitar que o açúcar seja molhado. McDougall classificou os efeitos como “uma cascata de problemas decorrentes das chuvas do El Niño”.
A instabilidade também afetou a atividade das usinas. Uma pesquisa da Datagro, divulgada nesta sexta-feira (2), apontou que cada unidade do centro-sul moeu, em média, 76.242 toneladas de cana na semana encerrada em 27 de setembro. No início de agosto, a média semanal era de 105.844 toneladas.
A consultoria estima que cerca de 35 milhões de toneladas permanecerão nos campos e serão processadas no próximo ano, por volta de março. A umidade dificulta a operação das máquinas e impede a conclusão da colheita. “As chuvas afetaram bastante a moagem em setembro”, disse Bruno Wanderley de Freitas, economista sênior da Datagro. Ele acrescentou que há previsão de mais chuvas nos próximos dias na região.
O El Niño costuma deixar o sul do Brasil mais chuvoso e o norte, mais seco. Uma estação de monitoramento climático mantida pela USP na região açucareira de Piracicaba registrou o inverno mais chuvoso em 110 anos.
Os preços do açúcar subiram até 5% em Nova York nesta sexta-feira (2), em meio às chuvas no Brasil e a outros problemas de produção na Europa e na Ásia.


