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Economia

Credores da holding ligada ao Banco Master apontam dívidas de US$ 1,064 bilhão

Liquidante diz que não há recursos nas Ilhas Cayman e avalia medidas nos Estados Unidos para localizar ativos e documentos.

Credores da holding ligada ao Banco Master apontam dívidas de US$ 1,064 bilhão
Foto: Rafaela Araújo/Folhapress

A Titan Capital Holding, empresa ligada ao Banco Master nas Ilhas Cayman, tem credores que apresentaram provas de dívidas ainda em análise no total de US$ 1,064 bilhão (R$ 5,43 bilhões). Na primeira reunião com os credores, realizada nesta quarta-feira (9), a Grant Thornton informou que não há dinheiro disponível no território para pagar as obrigações ou os custos da liquidação.

A consultoria atua como liquidante judicial da Titan e conduziu a reunião, que teve entre os principais pontos a formação de um comitê de credores e a avaliação do primeiro relatório do processo. Até agora, cinco credores apresentaram documentos sobre os valores cobrados.

Os ativos potencialmente localizados estão relacionados a participações acionárias em subsidiárias brasileiras e a fundos de investimento ligados ao Master. A Grant Thornton avalia abrir nos Estados Unidos uma ação de falência transfronteiriça com base no Chapter 15, capítulo da legislação americana que permitiria reconhecer a liquidação das Ilhas Cayman em território americano.

A medida também poderia proteger ativos e pressionar instituições e agentes nos Estados Unidos a entregar registros e documentos. Advogados contratados nas Ilhas Cayman, nos EUA e no Brasil notificaram mais de 70 partes envolvidas no caso, entre bancos, custodiantes e executivos. A maioria dos livros e registros financeiros solicitados ainda não foi entregue.

Custos e investigação de ativos

A liquidação é conduzida por duas divisões da Grant Thornton: a Grant Thornton Specialist Services, das Ilhas Cayman, e a Grant Thornton UK Advisory & Tax LLP. Os honorários acumulados chegam a US$ 572,8 mil (R$ 2,9 milhões), enquanto os serviços de advogados externos somam outros US$ 89 mil (R$ 454 mil).

A liquidante busca financiamento de terceiros para cobrir as despesas e convidou credores interessados em financiar o processo a se manifestarem.

Daniel Vorcaro é o único acionista da Titan e controlava o Master. Angelo Antonio Ribeiro da Silva e Luiz Antonio Bull aparecem como diretores. Silva era sócio e tesoureiro da instituição, e Bull ocupava a diretoria de Riscos e Compliance. Os dois respondem a processos criminais, têm bens bloqueados no Brasil e não responderam aos pedidos de esclarecimento dos liquidantes.

A Titan mantinha uma inscrição ativa de contribuinte não residente no Brasil sob o CNPJ 57.265.362/0001-21, aberta em 12 de setembro de 2024. O registro foi criado originalmente com a razão social Master Holding – Sefer Investimentos Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda., nome associado ao operador financeiro Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro.

Investigações da Polícia Federal e dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras apontaram que a Sefer teria sido usada para triangular repasses suspeitos à Entre Investimentos, empresa de intermediações financeiras de Freixo. Ele firmou acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República, ainda pendente de homologação pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

A EFB Regimes Especiais, liquidante extrajudicial do Banco Master no Brasil, apontou que a Titan esteve no centro de um suposto esquema de esvaziamento patrimonial. A empresa teria recebido mais de R$ 700 milhões do banco entre janeiro e julho de 2025, antes da liquidação pelo Banco Central, em novembro.

Reivindicações do Banco Master

A Grant Thornton e a liquidante brasileira tentam coordenar a recuperação de livros, registros e documentos da Titan que estejam no Brasil, para evitar a duplicação de custos, esforços e processos judiciais.

O liquidante do Banco Master obteve na Suprema Corte das Ilhas Cayman uma decisão que o reconhece como representante estrangeiro no território. Até o encerramento do relatório, porém, não havia apresentado prova de dívida contra a Titan. A Grant Thornton avalia os efeitos jurídicos da decisão e como as duas liquidações irão coexistir e interagir nas Ilhas Cayman.

Crédito da Tether

A Tether Investments, divisão de investimentos da Tether, está entre os credores da Titan. Em março de 2025, a empresa liberou uma linha de crédito de US$ 300 milhões, garantida por recebíveis de empréstimos consignados associados ao Master.

Após o rebaixamento de ratings e a liquidação extrajudicial do Master pelo Banco Central do Brasil, em novembro de 2025, a Tether notificou a Titan sobre o vencimento antecipado da dívida. A holding contestou a cobrança na Corte de Arbitragem Internacional de Londres, que decidiu a favor da credora.

Sem receber o pagamento, a Tether pediu a liquidação judicial da Titan nas Ilhas Cayman. A dívida chegou a US$ 326,2 milhões, além de 649,5 mil libras em custos de arbitragem.

Antes da ordem de liquidação, a Titan estava prestes a ser extinta administrativamente pelo governo das Ilhas Cayman, depois que o antigo provedor de sede e agente registrado renunciou aos serviços. Ao assumir o controle, a Grant Thornton regularizou a situação e nomeou a HSM Corporate Services para manter a empresa ativa durante o processo de falência e as investigações.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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