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Economia

Endividamento limita confiança mesmo com avanço do emprego e da renda

Análise de economistas do FGV Ibre relaciona o pessimismo do consumidor a dívidas, inadimplência e crédito de custo elevado.

Endividamento limita confiança mesmo com avanço do emprego e da renda

A confiança do consumidor permanece abaixo de 100 pontos em todas as faixas de renda, apesar da melhora nos indicadores de emprego e rendimento desde o fim de 2019. O pessimismo é maior entre as famílias de menor renda, de acordo com a Sondagem FGV e análise dos economistas Fernando de Holanda Barbosa Filho, Paulo Peruchetti e Janaína Feijó, associados ao FGV Ibre.

O estudo relaciona essa diferença ao peso das dívidas, à inadimplência e à utilização de modalidades de crédito mais caras. O comprometimento da renda das famílias com débitos junto ao sistema financeiro está em cerca de 30%, próximo dos maiores níveis da série histórica iniciada em 2007.

A composição da população altera os indicadores

A partir de dados da Pnad Contínua, do IBGE, os economistas calculam que o emprego avançou, em média, 1,3% ao ano desde o fim de 2019, enquanto o rendimento cresceu 1,9% ao ano. No período, a taxa de desemprego caiu 5 pontos percentuais e o nível de ocupação aumentou 1,9 ponto percentual.

Parte desse resultado, porém, estaria associada a mudanças na composição demográfica e educacional da população. O brasileiro ficou mais escolarizado e a população envelheceu. Como pessoas com mais anos de estudo tendem a apresentar taxas de desemprego menores, o aumento desse grupo reduz a média geral mesmo sem melhora equivalente dentro de cada faixa.

A renda média também é influenciada por esse movimento. A entrada de mais trabalhadores em grupos de maior escolaridade eleva o resultado agregado, porque essas faixas costumam receber salários maiores. Sem o efeito de composição, a taxa de desemprego do primeiro trimestre de 2026 seria de 7,4%, em vez dos 6,1% divulgados oficialmente. A renda seria cerca de 23% menor que a registrada nos dados oficiais.

Quando o rendimento é corrigido pelo índice de preços dos alimentos, que pesa mais no orçamento dos domicílios pobres, aparece uma perda de poder de compra. Barbosa Filho resume o efeito dizendo: "É essa conta que explica a sensação de que o carrinho de supermercado está mais vazio com o mesmo dinheiro".

Crédito caro e inadimplência

Em abril de 2026, quase 25% do crédito livre destinado a pessoas físicas estava concentrado em linhas mais onerosas, como cheque especial, crédito não consignado e cartão rotativo e parcelado. A análise, baseada em informações do Banco Central, também identifica aumento da participação de financeiras no endividamento das famílias, em substituição aos bancos tradicionais.

A inadimplência da carteira de crédito livre para pessoas físicas chegou a 7,2% no mesmo mês. Dados da Serasa indicam que o número de inadimplentes passou de 59 milhões em 2016 para quase 84 milhões em 2026. Com isso, a parcela de inadimplentes na população adulta subiu de 40% para 50%.

O IDC, índice criado por pesquisadores da FGV EAESP, apresentou forte alta no período pós-pandemia. A melhora depois do Desenrola Brasil foi apenas parcial e temporária: o indicador caiu de 0,90 para 0,67, em uma escala de 0 a 1 ponto, e voltou a subir para 0,94.

A percepção de endividamento piorou em todas as faixas de renda, mas o impacto é maior entre os mais pobres. Em abril de 2026, 21,2% das pessoas com renda de até três salários mínimos se declaravam muito endividadas, contra 9,1% entre aquelas que recebiam acima de dez salários mínimos. Cerca de 38% dos mais pobres tinham dívidas em atraso, ante 15% dos mais ricos; 18% afirmavam não conseguir quitá-las, contra 5% no grupo de maior renda.

Programas de renegociação e imposto de renda

O Novo Desenrola foi lançado neste ano. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, 6 milhões de pessoas e famílias haviam renegociado dívidas até o início de junho. Para Paulo Peruchetti, sem medidas contra as causas do endividamento, o efeito tende a ser passageiro: "É um alívio temporário".

Em junho, o Datafolha registrou queda de 9 pontos percentuais na parcela dos que previam piora da situação econômica do país. O índice passou de 35% para 26% em comparação com a pesquisa anterior, realizada no início de março.

O estudo também considera a ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000, em vigor desde janeiro de 2026, com desconto até R$ 7.350. Os autores estimam que o maior ganho proporcional, de até 6,3%, ocorre perto de R$ 5.000. Essa é a única faixa com ganho real acima da inflação acumulada em 12 meses, de 4,7%.

Trabalhadores de renda mais baixa já eram, em sua maioria, isentos. Pessoas que recebem acima de R$ 7.350 praticamente não são alcançadas pela mudança. O benefício imediato se restringe aos trabalhadores com carteira assinada e desconto em folha, reduzindo o universo potencial de 21 milhões para cerca de 8 milhões de pessoas.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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