A duração do efeito da cafeína pode variar de seis a 20 horas. O tempo depende da velocidade com que o fígado metaboliza a substância, de características genéticas e de fatores como tabagismo, gravidez, uso de medicamentos e consumo habitual de café.
A diferença aparece até em quem toma cafeína no fim do dia. Emily, de 20 anos, contou que costuma beber duas xícaras de café diariamente e, às vezes, uma bebida energética. Ela também disse que consegue tomar Coca-Cola à noite e se sentir bem.
Como a cafeína age
A cafeína é a substância psicoativa mais consumida no mundo. Mais de dois bilhões de xícaras de café são consumidas todos os dias. A substância também está presente em refrigerantes, bebidas energéticas, chocolates, chicletes e suplementos esportivos.
Ela pode aumentar o estado de alerta, favorecer a concentração e reduzir a percepção de cansaço. Não fornece energia extra ao corpo: segundo especialistas, seu efeito ocorre porque bloqueia a ação da adenosina, substância que se acumula no cérebro ao longo do dia e provoca sonolência.
Depois de ingerida, a cafeína chega rapidamente à corrente sanguínea e ao cérebro. Em paralelo, é decomposta por uma enzima no fígado e eliminada na urina. Marilyn Cornelis, professora associada de nutrição da Universidade Northwestern, em Chicago, afirma que esse processo pode levar de seis a 20 horas, conforme a pessoa.
A rapidez dessa metabolização está ligada ao gene CYP1A2. Um estudo publicado este ano constatou que europeus e sul-americanos tendem, em média, a processar a cafeína mais rapidamente.
Hábitos e medicamentos também interferem
O DNA não é o único fator. Fumar, mas provavelmente não usar cigarros eletrônicos, parece acelerar em até 65% a metabolização da cafeína pelo fígado. Isso pode contribuir para que fumantes consumam mais café. Quando deixam de fumar, algumas pessoas podem perceber que a xícara habitual produz um efeito mais intenso.
Alguns antibióticos, pílulas anticoncepcionais e outros medicamentos prescritos podem retardar a eliminação da cafeína, prolongando sua permanência no organismo. A gravidez também altera esse processo: mudanças hormonais reduzem a atividade da enzima hepática responsável pela metabolização.
A tolerância é outro elemento. Quem bebe café regularmente tende a ficar menos sensível à substância porque o organismo se adapta à sua presença. Se a pessoa interrompe o consumo por algumas semanas, essas adaptações começam a se desfazer. Por isso, o primeiro café depois da pausa pode provocar agitação ou nervosismo mais intensos.
Relação com o sono
Pesquisadores do sono costumam recomendar que a cafeína seja evitada por pelo menos seis horas antes de dormir. Lindsay Browning, psicóloga e especialista em sono, afirma que a substância pode dificultar o adormecimento e prejudicar a qualidade do sono.
A especialista sugere evitar cafeína depois de cerca das 14h para quem pretende dormir por volta das 22h. Ela ressalta, porém, que uma regra fixa não considera as diferenças individuais na resposta à substância.
O NHS (Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido) recomenda que mulheres grávidas mantenham o consumo abaixo de 200 mg por dia, o equivalente a cerca de duas xícaras de café coado. Estudos associaram o consumo excessivo a baixo peso ao nascer e outras complicações.
Para os demais adultos, Peter Rogers, professor emérito de nutrição da Universidade de Bristol, defende a moderação. Em excesso, a cafeína pode causar dor de cabeça, nervosismo, aceleração dos batimentos cardíacos e noites mal dormidas.
Overdoses são muito raras. Os envenenamentos graves quase sempre envolvem produtos com alta concentração da substância, nos quais vários gramas podem ser ingeridos em questão de minutos.
Apesar dos riscos do excesso, décadas de estudos associam o consumo moderado de café a melhores resultados de saúde. Os pesquisadores não conseguem provar que o café seja o único responsável, mas consumidores moderados tendem a apresentar menor risco de diversas doenças graves e podem viver um pouco mais do que pessoas que não consomem a bebida.


