A divergência sobre o custeio dos planos de saúde levou bancários da Caixa Econômica Federal e de parte do Banco do Brasil a iniciar uma greve por tempo indeterminado nesta quinta-feira (10). A paralisação é nacional na Caixa. No Banco do Brasil, 27 sindicatos aprovaram a interrupção das atividades, enquanto os demais aceitaram o acordo ou decidiram manter as negociações.
A convenção coletiva de trabalho foi assinada nesta quarta-feira (9) e prevê reajuste salarial acima da inflação para cerca de 500 mil bancários. O mesmo percentual será aplicado aos benefícios de vale-alimentação, vale-refeição e auxílio-creche. A categoria também terá direito à Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
Impasse na Caixa
Na Caixa, o plano de saúde foi o principal ponto de discordância. Atualmente, os bancários pagam 3,5% do salário-base pelo convênio, além de R$ 480 mensais por dependente. Para dependentes entre 24 e 27 anos, a cobrança é de R$ 800.
A proposta apresentada pela Caixa elevava o percentual sobre o salário para 5,5%. O valor por dependente passaria a R$ 870 e, para os maiores, a R$ 1.050 mensais. A proposta foi rejeitada nas assembleias, que também aprovaram o início da greve, mas aceitaram retomar as negociações a partir da noite desta quarta-feira (9).
Ao todo, 93 bases sindicais decidiram pela paralisação. Outras 35 rejeitaram a proposta, mas escolheram continuar negociando. Nas demais bases, o texto foi aprovado.
Neiva Ribeiro, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, afirmou que não houve acordo, sobretudo em relação à Caixa. “A principal preocupação é com o Saúde Caixa, uma questão que precisa ser tratada com a complexidade e o cuidado que necessita”, disse.
A Caixa informou que mantém o diálogo com as entidades representantes dos empregados e que as renegociações foram reabertas nesta quarta-feira (9). O banco declarou que busca um entendimento sobre os interesses das partes, a valorização dos empregados, a sustentabilidade da instituição e a continuidade dos serviços.
Adesão no Banco do Brasil
No Banco do Brasil, o custeio do plano de saúde também aparece como ponto de impasse. Em assembleias, 39 sindicatos aprovaram uma proposta de aporte de R$ 360 milhões para manter o plano até novembro deste ano. Entre eles estão os sindicatos de São Paulo (SP), Curitiba (PR), Campo Grande (MS), Niterói (RJ) e Jundiaí (SP).
Outros 60 sindicatos rejeitaram a proposta e decidiram retomar as negociações. Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ), Porto Alegre (RS), Pernambuco e Florianópolis (SC) estão nesse grupo. Já Belo Horizonte (MG), Bahia, Ceará e Piauí estão entre os 27 sindicatos que aprovaram a greve.
O Banco do Brasil afirmou que participa da mesa única da Fenaban, com todos os bancos, e mantém uma mesa específica para tratar das demandas dos funcionários. Para os clientes, orientou o uso do aplicativo, do internet banking, de correspondentes bancários e dos telefones 4004-0001, para capitais e regiões metropolitanas, e 0800-7290001, para as demais localidades. Também indicou o WhatsApp (61 4004-0001).
Reajuste e participação nos lucros
O índice de correção salarial será divulgado na sexta-feira (11). Ele corresponderá à inflação medida pelo INPC de setembro de 2025 a agosto de 2026, acrescida de 0,6% de aumento real.
A PLR não terá valor fixo: o cálculo dependerá do salário do trabalhador e do lucro do banco. O benefício reúne uma regra básica, baseada em 90% do salário-base e das verbas salariais fixas, com uma parcela fixa, além de uma parcela adicional equivalente à distribuição de 2,2% do lucro líquido entre os empregados elegíveis.
A PLR referente a 2026 será paga até o fim de março de 2027, com antecipação ainda neste mês. Os valores fixos e os limites da fórmula serão atualizados pelo reajuste. Neiva Ribeiro também afirmou que pretende discutir questões de saúde mental conforme as regras da NR-1.


