SÃO PAULO — A atividade do iFood movimentou R$ 167 bilhões na economia brasileira em 2025, segundo estudo da Fipe (Fundação de Pesquisas Econômicas). O valor corresponde a 0,70% do PIB (Produto Interno Bruto). A pesquisa estima ainda 1,18 milhão de postos de trabalho diretos e indiretos associados à plataforma.
A empresa prevê investir R$ 24 bilhões no mercado brasileiro até março de 2027. O montante é 41% superior aos R$ 17 bilhões aplicados até março deste ano. O anúncio será feito nesta quarta-feira (16), durante o iFood Move, na zona sul de São Paulo.
O planejamento inclui operações além do delivery de comida. Estão previstas iniciativas em inteligência artificial, serviços financeiros, benefícios, supermercados, farmácias, pet shops, presentes e na modalidade turbo, que realiza entregas em até 20 minutos.
Crédito, benefícios e inteligência artificial
A área financeira terá R$ 5 bilhões em aportes. O iFood Pago deve crescer 70% neste ano, principalmente por meio da concessão de crédito a restaurantes. A empresa também testa e amplia o crédito para pessoas físicas. O serviço já soma 15 milhões de assinantes.
O iFood Benefícios receberá R$ 10 bilhões nos próximos 12 meses e tem registrado crescimento de 100% ao ano. Na inteligência artificial, a companhia planeja aplicar R$ 2 bilhões em treinamento de modelos e desenvolvimento de produtos.
Entre os projetos está o LCM (Large Commerce Model), treinado com dados próprios. A empresa prepara ainda um assistente para restaurantes, que permitirá administrar a operação de forma conversacional com informações do próprio negócio.
Diego Barreto, CEO do iFood, afirma que a estratégia tecnológica foi construída a partir de testes, análise de resultados e ampliação dos produtos com potencial de crescimento. A empresa completa 15 anos de operação e conecta cerca de 65 milhões de consumidores, 500 mil estabelecimentos em 2.800 cidades e 600 mil entregadores. O volume mensal supera 180 milhões de pedidos.
Novas categorias e operação
A companhia projeta avanço superior a 60% para supermercados e acima de 70% para farmácias. Pet shops, bebidas, conveniência e presentes devem crescer mais de 100%.
No segmento de presentes, a oferta será ampliada com perfumes, maquiagem, itens de cuidados pessoais, brinquedos, carregadores e capas de celular. O aplicativo também vai integrar serviços da CRM Bônus, com recursos como cashback, bônus e giftbacks.
Na operação de restaurantes, o hits, voltado a refeições do dia a dia com preços mais baixos e sem taxa de entrega, será levado a cidades médias. O turbo será ampliado para todas as capitais e passará a atender farmácias, mercados e pet shops.
A Fipe aponta que o valor movimentado pela cadeia do iFood cresceu 19% em relação a 2024. Desde 2020, a alta acumulada chega a 175%.
Entregadores e concorrência
O iFood afirma que a renda dos entregadores deve crescer 20%. Barreto defende a regulamentação do trabalho por aplicativos, com remuneração mínima baseada no salário mínimo, hoje em R$ 1.621, ressarcimento de despesas, seguro e contribuição à Previdência Social. A empresa diz ser favorável à regulação desde 2021 e afirma oferecer seguro e telemedicina, além de testar financiamento para casa própria.
Segundo o executivo, a renda média dos entregadores estaria em torno de 200% do valor-hora do salário mínimo brasileiro. A categoria reivindica, entre outros pontos, uma taxa mínima de R$ 10 por entrega. O programa Mais Entregas prevê pagamentos de R$ 3 a R$ 3,50 por entrega, enquanto a modalidade Nuvem paga R$ 7 a R$ 7,50. O iFood afirma que o novo modelo pode gerar ganhos maiores por hora.
Sobre a concorrência chinesa, Barreto diz defender a entrada de novas empresas. O aplicativo, porém, acionou uma concorrente por espionagem. Parte do processo corre no Brasil e parte nos Estados Unidos. A acusação envolve a tentativa de obter informações sigilosas por meio de entrevistas remuneradas e abordagens a funcionários. O caso também é investigado pela polícia em São Paulo.


