O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (21) que o Brasil poderá aplicar a Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos se os dois países não chegarem a um acordo sobre as tarifas impostas a produtos brasileiros. Ele disse, porém, que pretende aguardar o avanço das negociações antes de adotar uma resposta comercial.
Em entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN, Lula afirmou que a retomada do diálogo com Washington, após uma conversa por telefone com Donald Trump no mês passado, recomenda cautela. “Enquanto estamos na mesa de negociação, eu não tenho que aplicar a Lei da Reciprocidade. Tenho que ser mais paciente”, disse.
O Brasil voltou a ser alvo de tarifas adicionais em julho deste ano. Uma delas, de 25%, foi aplicada pelo governo americano no âmbito de uma investigação da Seção 301 sobre práticas brasileiras consideradas prejudiciais ao comércio dos Estados Unidos. A medida envolve questões relacionadas ao Pix, à corrupção, ao etanol e ao desmatamento. Outra tarifa, de 12,5%, foi imposta pela ausência, segundo Washington, de uma proibição efetiva à importação de produtos feitos com trabalho forçado.
Determinados produtos brasileiros passaram, assim, a estar sujeitos a sobretaxas adicionais de 37,5%. Após a sanção, Lula e Trump conversaram por telefone no fim de agosto, retomando as negociações entre os dois países. Em seguida, Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos, tratou da agenda com Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Na próxima semana, Elias Rosa viajará com Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores, para Milwaukee, em Wisconsin, onde participará de uma reunião do G20. Os ministros devem se encontrar com Greer durante a viagem.
Lula também criticou a condução da política externa e comercial americana por Trump. O presidente disse que o republicano “age como um imperador” e contestou os argumentos usados para justificar as tarifas, classificando-os como “baseadas em mentiras”.
Segundo Lula, as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 9% após a adoção das tarifas, enquanto as importações de produtos americanos pelo Brasil caíram 8%. Ele afirmou que o país busca ampliar o comércio com outros mercados e mantém aberta a possibilidade de recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica.


