São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,16 · Euro R$ 5,91 · Ibovespa 185.229 +0,00%
Notícia com critério
Economia

Maria Ressa defende leis para conter riscos e dependência ligados à IA

A vencedora do Nobel da Paz afirma que cidadãos devem pressionar governos e responsabilizar empresas pelos danos associados à inteligência artificial.

Maria Ressa defende leis para conter riscos e dependência ligados à IA
Foto: Gwladys Fouche/Reuters

A jornalista Maria Ressa, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, defendeu a aprovação de leis para limitar o avanço da inteligência artificial (IA). Ela afirmou que a tecnologia pode reduzir a autonomia das pessoas caso governos não adotem medidas de controle.

Ressa é copresidente do painel científico internacional das Nações Unidas sobre IA, que avalia os efeitos da tecnologia na vida das pessoas. Jornalista filipina e americana, ela recebeu conjuntamente o prêmio de 2021, em parte pelo trabalho de documentação do poder das grandes empresas de tecnologia.

Durante uma visita a Oslo para participar de uma conferência sobre ameaças às democracias, Ressa disse que a pressão pela regulamentação deve partir também dos cidadãos. Para ela, o debate não se limita à liberdade de expressão: “É uma questão de segurança pública”.

As ondas de desenvolvimento da IA

Ressa afirmou que a inteligência artificial existe há cerca de 70 anos e descreveu três fases de impacto sobre o público. A primeira estaria associada às plataformas de redes sociais, que capturam a atenção, ampliam a polarização e isolam indivíduos.

A segunda envolve os chatbots e a influência sobre a biologia humana por meio da intimidade. A terceira corresponde à IA agentiva e multiagentiva, formada por modelos capazes de criar máquinas que não apenas simulam comportamentos humanos, mas também atuam em nome das pessoas.

Críticos dos apelos pela regulamentação, entre eles o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizem que regras mais rígidas poderiam prejudicar a disputa tecnológica com a China. Ressa rejeitou esse argumento e afirmou que a China impõe mais medidas de segurança a seus cidadãos do que o Vale do Silício oferece ao restante do mundo. Ela citou como exemplo as restrições de idade aplicadas à versão chinesa do TikTok.

A jornalista também defendeu que as empresas de tecnologia sejam responsabilizadas pelos danos causados por seus produtos. Ela mencionou ações judiciais nos Estados Unidos que levaram a Meta a pagar até US$ 18 bilhões (R$ 92,7 bilhões) na próxima década e a limitar o uso do Facebook e do Instagram por adolescentes.

Limites e alternativas

Ressa elogiou iniciativas da União Europeia e de países liderados pela Austrália para estabelecer limites de idade nas redes sociais, mas afirmou que essas medidas não enfrentam a dependência provocada pelas ferramentas digitais entre adultos. Na avaliação dela, os recursos que causam dependência deveriam ser removidos para todos os usuários.

Ela também propôs a criação de plataformas de comunicação administradas por grupos de interesse público e fora do controle das grandes empresas de tecnologia. Como exemplo, citou o Rappler Communities, lançado pelo Rappler em 2023.

O aplicativo móvel usa o protocolo de código aberto, seguro e descentralizado Matrix. Segundo Ressa, a ferramenta permite que a redação do Rappler se conecte aos leitores e que eles conversem entre si. O veículo convidou outros meios de comunicação filipinos a participar e estende o modelo no Sudeste Asiático.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.