NOVA YORK — O McDonald’s pretende ampliar sua participação no mercado global de fast-food de frango em 1,5 ponto percentual até 2030. A empresa estima que atualmente detenha cerca de 10% desse segmento e mais de 40% do mercado de hambúrgueres de carne bovina.
A estratégia foi apresentada durante um evento com investidores realizado em Chicago, o primeiro do tipo em quase três anos. As ações da companhia recuaram 5,3% nas negociações do meio do dia, em um momento de crescimento fraco das vendas e queda no fluxo de clientes nos Estados Unidos, seu maior mercado.
Frango ganha espaço no cardápio
Jill McDonald, diretora global de experiência em restaurantes, afirmou que as vendas anuais de frango no setor de fast-food alcançam US$ 130 bilhões (R$ 673 bilhões) e crescem 5% ao ano nos dez maiores mercados. As vendas de carne bovina somam US$ 50 bilhões (R$ 258,4 bilhões) e avançam 3% ao ano.
A demanda global por frango superou a de carne bovina nos últimos anos. Nos Estados Unidos, o preço da carne moída subiu mais da metade desde 2021. A empresa também considera que a versatilidade do frango e sua condição de proteína magra favorecem o consumo entre pessoas preocupadas com a saúde.
O McDonald’s lançou frango com empanamento feito à mão em 10 mil restaurantes na Ásia e testa o produto nos Estados Unidos e na Irlanda. Danilo Gargiulo, analista do Bernstein, disse que o preparo dentro das lojas exige mais mão de obra, equipamentos especializados e cuidados adicionais com segurança alimentar.
A companhia também alterou procedimentos para produtos de frango, entre eles os Chicken McNuggets, que geram US$ 15 bilhões (R$ 77,5 bilhões) em vendas anuais. As mudanças envolvem o tempo de cozimento, as configurações das fritadeiras e o volume de óleo.
A expansão dos sanduíches e wraps de frango aproxima o McDonald’s da concorrência de redes como Chick-fil-A e Raising Cane’s. A empresa enfrenta, ao mesmo tempo, gastos mais contidos entre consumidores de baixa renda e uma concorrência forte.
Vendas e nova estratégia
As vendas nas mesmas lojas nos Estados Unidos cresceram 0,8% no segundo trimestre, abaixo das altas de pelo menos 1,5% registradas nas divisões internacionais. Chris Kempczinski, presidente-executivo do McDonald’s, afirmou que o crescimento precisará vir da conquista de uma fatia maior do mercado enquanto a inflação permanecer elevada.
Além do frango, a empresa estabeleceu a meta de ampliar em 1,5 ponto percentual sua participação nas vendas de bebidas. A categoria avançou com a procura por refrescos, “dirty sodas” e outras bebidas coloridas divulgadas nas redes sociais.
A apresentação detalhou uma estratégia apresentada aos franqueados em junho, com medidas para melhorar os cardápios, reformar lojas, integrar o marketing às redes sociais e a criadores de conteúdo e aprimorar o atendimento. Cerca de US$ 8,5 bilhões (R$ 43,9 bilhões) serão destinados pelo McDonald’s aos franqueados ao longo da próxima década para apoiar a execução do plano.
Os investimentos incluem uma plataforma de inteligência artificial generativa e um assistente de voz para receber pedidos em tempo real em inglês e espanhol nas pistas de drive-thru. As reformas são financiadas pelos próprios franqueados.
Skye Anderson, que assumiu no mês passado a presidência do McDonald’s nos Estados Unidos no lugar de Joe Erlinger, afirmou que os medicamentos para perda de peso da classe dos GLP-1 podem abrir espaço para o cardápio de carnes e peixes, porque seus usuários normalmente buscam consumir mais proteína. Cerca de 84% dos lares americanos com uma pessoa que usa esses medicamentos frequentam o McDonald’s.
Anderson também disse: “Estamos enfrentando esse desafio de frente.” A executiva se referiu à necessidade de melhorar a consistência da operação em um cenário de movimento fraco nos restaurantes, custos maiores e pressão sobre os lucros das unidades.


