BRASÍLIA E SÃO PAULO — A Betano aparece na liderança do mercado brasileiro de apostas autorizadas, com 23% de participação, seguida pela Bet365, com 18%. O setor reúne empresas estrangeiras de capital aberto, grupos sediados em Malta e Luxemburgo e companhias fundadas no Brasil.
A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de tornar ilegais as apostas online atingiu 85 empresas responsáveis por 185 plataformas. A medida provisória foi publicada em 25 de setembro e ainda precisa ser convertida em lei pelo Congresso Nacional em até quatro meses.
As primeiras autorizações para funcionamento foram publicadas em 30 de dezembro de 2024. Desde então, as marcas passaram a nomear campeonatos e a ocupar espaços em camisas de clubes e seleções, estádios e eventos como carnaval, festas juninas e festivais de música.
As maiores participações
A Betano pertence à Kaizen Gaming Group, com sede em Malta, e apresentou à Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda o requerimento número 1 para operar no país em 2024. A empresa passou a nomear a Copa do Brasil, chamada de Copa Betano do Brasil, e mantém patrocínios esportivos em diferentes países.
A Bet365 é controlada pela britânica Denise Coates, sua presidente-executiva. A empresa opera em diversos países e, no Brasil, aparece associada ao patrocínio do Nubank Parque. A casa de apostas está sob investigação junto de Betnacional, Esportes da Sorte e KTO por propagandas exibidas durante transmissões da CazéTV na Copa do Mundo.
Com 8% do mercado, a Superbet foi a primeira empresa autorizada a atuar legalmente no Brasil. Sua controladora, a SB Lux Brazil, tem sede em Luxemburgo. A companhia patrocina São Paulo, Fluminense, America, Kings League, Liesa e Rock in Rio. Neste ano, passou a deter os naming rights da Supercopa, rebatizada como Supercopa Rei Superbet do Brasil 2026.
A Sporting Bet tem 6% e integra a Entain, empresa britânica de capital aberto. No Brasil, é representada pela Ventmear e patrocina Palmeiras, Vasco, Libertadores e NBA. Os acordos com clubes brasileiros rendem cerca de R$ 140 milhões fixos às agremiações.
A Betnacional responde por 4% do mercado e faz parte da Flutter, listada na New York Stock Exchange. A empresa patrocina Cruzeiro, Sport Recife e Athletic Club. A Flutter Brazil declarou ter recebido a medida provisória com surpresa. Em nota, afirmou: “A demanda por apostas não deixa de existir com a retirada dos operadores autorizados.”
Empresas brasileiras e outras marcas
Também com 4%, a Esportes da Sorte foi fundada em Recife por Darwin Henrique da Silva Filho e patrocina Corinthians, Ceará e Náutico. Darwin Filho foi preso durante investigações sobre a relação entre a Banca da Sorte e a plataforma, encerradas sem condenações.
A Blaze tem operações em Malta e foi fundada pelo holandês Nick van Gorsel e pelo americano Nicholas Beugg. Neymar Jr é seu garoto-propaganda. A marca já patrocinou o Santos FC e atualmente apoia o Atlético Goianiense. A Foggo Entertainment, responsável pelos direitos da Blaze no Brasil, defendeu regras claras de fiscalização.
A Pixbet tem 3% do mercado e patrocina o Serra Branca Esporte Clube. A licença da empresa foi suspensa em agosto deste ano por falta de mecanismos de monitoramento de jogadores compulsivos e pela não entrega de documentos ao Ministério da Fazenda. A companhia pertence a Ernildo Junior e Diomar Tadeu Dantas de Farias.
O restante do mercado está dividido entre empresas com 1% ou 2% de participação. A Vaidebet tem 2% e patrocina o Remo. A KTO esteve entre as patrocinadoras da CazéTV na transmissão oficial da Copa do Mundo da Fifa 2026. A Novibet patrocina o Santos, enquanto a Estrela Bet apoia o Fluminense.
Entre as demais autorizadas está a Boa Lion, joint venture da rede Globo com o grupo MGM, responsável pela operação da BetMGM no Brasil. Em junho deste ano, a empresa comprou do apresentador Luciano Huck a Bingão do Brasil, em negociação aprovada pelo Cade.


