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Economia

Mercado de trabalho melhora antes de 2026, mas mantém desafios estruturais

Desemprego recua e ocupação bate recorde, enquanto informalidade, trabalho por aplicativos e Previdência pressionam a próxima gestão.

Mercado de trabalho melhora antes de 2026, mas mantém desafios estruturais
Foto: Allison Sales/Folhapress

O Brasil chega às eleições de 2026 com desemprego em nível historicamente baixo, recordes de ocupação, empregos com carteira assinada e rendimento. Ao mesmo tempo, a informalidade, o trabalho por aplicativos, a pejotização e o descompasso entre formação profissional e demanda empresarial permanecem entre os principais desafios da próxima gestão.

Dados da Pnad Contínua, do IBGE, mostram que a taxa de desemprego foi de 5,3% no trimestre encerrado em julho, contra 9,1% no mesmo período de 2022. A taxa de ocupação chegou a 58,9%, e o número de empregados com carteira no setor privado alcançou 39,4 milhões.

A informalidade ficou em 37,5% no trimestre até julho, embora já tenha superado 40% na série histórica. Em 2025, cerca de 2 milhões de pessoas tinham o trabalho principal ou secundário realizado por meio de aplicativos, segundo o módulo anual da Pnad Contínua.

Trabalho por aplicativos e qualificação

A economista Janaína Feijó, do FGV Ibre, avalia que a melhora dos indicadores quantitativos convive com problemas qualitativos, agravados pela desaceleração econômica e pelos juros altos. Ela cita a plataformização do trabalho e afirma que a reforma trabalhista de 2017 não cobriu completamente essa modalidade.

O motoboy Felipe Zuppo, 38, trocou o emprego com carteira pelo trabalho em aplicativos e participou, em 2023, de um grupo do governo Lula que não chegou a consenso sobre a regulamentação da atividade. Para ele, os trabalhadores querem direitos sem necessariamente serem enquadrados pela CLT.

Rodolpho Sartori, da Buysidebrazil, considera que o mercado ficou mais resistente a choques, mas aponta a dificuldade de absorver trabalhadores mais qualificados. A flexibilidade foi o motivo mais citado para o uso de plataformas no trabalho principal, com 26,8%, seguida pela falta de outro emprego, com 24,6%, e por rendimento maior, com 20,8%.

Janaína também critica o desenho do MEI, criado para formalizar pequenos negócios e incluir trabalhadores no INSS, mas que permite contribuição de 5% do salário mínimo. Ela aponta ainda diferenças de acesso a redes profissionais. Nicole Guedes de Andrade Suvires, 22, trabalha em uma rede de pet shop no ABC paulista e afirma que passou dois anos como PJ antes de conseguir uma vaga com benefícios.

Propostas dos candidatos

Lula (PT) propõe ampliar a proteção trabalhista, combater a pejotização e regulamentar o trabalho em plataformas. Também defende o fim da escala 6x1, jornada de 40 horas sem redução salarial, requalificação e mudanças no financiamento da Previdência.

Flávio Bolsonaro (PL) propõe reduzir gradualmente o custo do trabalho e criar contratos mais baratos para jovens de 18 a 24 anos e desempregados a partir de 50 anos. Romeu Zema (Novo) defende um regime alternativo à CLT, com menos encargos e negociação de jornada, remuneração e férias.

Ronaldo Caiado (PSD) prioriza ensino técnico e requalificação, com currículos voltados a IA, automação, dados e cibersegurança. Augusto Cury (Avante) propõe o empreendedorismo como resposta ao desemprego associado à IA e quer transformar o Bolsa Família em porta de entrada no mercado. Renan Santos (Missão) não apresenta propostas específicas para o trabalho, mas defende liberdade para o crescimento de negócios.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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