O Banco Mundial escolheu Michael Kremer, professor da Universidade de Chicago e vencedor do Prêmio Nobel de Economia, para ocupar o cargo de economista-chefe. Ele substituirá Indermit Gill, que se aposentou no mês passado.
Kremer, de 61 anos, recebeu o Nobel de Economia em 2019 ao lado de Esther Duflo e Abhijit Banerjee. O trio foi reconhecido pelo uso de um método experimental no combate à pobreza. Antes de ingressar na Universidade de Chicago, Kremer lecionou economia em Harvard.
O economista é conhecido por conduzir pesquisas voltadas à criação de soluções para problemas concretos. Seus estudos contribuíram para programas destinados a pequenos agricultores e para a oferta de vacinas e atendimento de saúde em escolas para milhões de pessoas.
“Michael dedicou sua carreira não apenas a identificar o que funciona no desenvolvimento, mas também a comprovar isso em grande escala”, afirmou Ajay Banga, presidente do Banco Mundial. Segundo Banga, Kremer chega à instituição em um período de busca por soluções para desafios de desenvolvimento, entre eles a criação de empregos para mais de 1,2 bilhão de jovens que entrarão na idade produtiva na próxima década.
Desafios para os países em desenvolvimento
A chegada ocorre enquanto países em desenvolvimento enfrentam taxas de juros e preços de energia mais altos, no contexto da guerra dos Estados Unidos contra o Irã. O cenário se soma à redução de 23% na assistência oficial ao desenvolvimento em 2025, a maior já registrada, com os Estados Unidos responsáveis pela maior parte do corte.
Kremer será o primeiro economista a assumir o posto no Banco Mundial já tendo recebido um Prêmio Nobel. Joseph Stiglitz e Paul Romer ganharam a premiação depois de concluírem seus mandatos como economistas-chefes.
Atualmente, Kremer dirige o Laboratório de Inovação para o Desenvolvimento da Universidade de Chicago. Seus trabalhos se concentram em educação, saúde, água, finanças e agricultura em países em desenvolvimento.
“o Grupo Banco Mundial possui uma enorme capacidade de pesquisa para desenvolver e testar soluções inovadoras para os problemas de desenvolvimento — e o alcance operacional para ampliá-las e melhorar a vida das pessoas”, afirmou Kremer em comunicado. Ele também defendeu o financiamento de testes para novos projetos e o apoio a pesquisas sobre novas tecnologias.
Kremer é casado com Rachel Glennerster, economista britânica que presidiu o Centro para o Desenvolvimento Global, em Washington, a partir de setembro de 2024. O casal entrou para a Giving What We Can em 2009. Em 2010, Kremer cofundou a Development Innovation Ventures, fundo administrado pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional e encerrado pelo presidente Donald Trump no ano passado.


