SUL DA CALIFÓRNIA (EUA) — O transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) pode mudar de forma ao longo da vida. Os sintomas, sua intensidade e o impacto sobre a rotina variam conforme a idade, o ambiente, as responsabilidades e as estratégias usadas para lidar com a condição.
A experiência de Elizabeth, 37, ilustra essa mudança. Diagnosticada há dois anos, ela passou a compreender dificuldades que enfrentava desde a juventude e que também reconhecia nos filhos, de 8 e 10 anos, ambos diagnosticados com TDAH. O marido, de 41, recebeu o mesmo diagnóstico.
A família usa medicamentos, listas de tarefas e quadros brancos espalhados pela casa para organizar atividades e comunicação. Elizabeth, que não divulgou o sobrenome, afirma que a medicação e o método criado por ela ajudaram a controlar os sintomas e a avançar na carreira como gerente de saúde, segurança e meio ambiente.
Os sintomas em cada fase
O TDAH reúne duas categorias principais de sintomas: desatenção e hiperatividade-impulsividade. O diagnóstico depende da quantidade de sintomas apresentados e da idade: crianças precisam preencher um número mínimo em uma das categorias, enquanto pessoas com 17 anos ou mais precisam atingir um limite menor. Quando os critérios são atendidos nas duas categorias, o diagnóstico é do tipo combinado.
A desatenção pode envolver dificuldade para perceber detalhes, terminar tarefas, manter a organização e lembrar de compromissos. Já a hiperatividade e a impulsividade podem aparecer como inquietação frequente, dificuldade para esperar e fala excessiva.
Na primeira infância, comportamentos hiperativo-impulsivos tendem a ser mais visíveis. Michelle Martel, professora de psicologia da Universidade de Kentucky, descreveu esse quadro em crianças que mexem em tudo e correm pela sala. Com o aumento das exigências escolares e das responsabilidades, a desatenção costuma ganhar espaço. Em algumas crianças, os sintomas de hiperatividade e impulsividade diminuem.
Uma revisão de 2023 indica que, entre crianças menores de 12 anos, há uma divisão quase equilibrada entre os tipos predominantemente desatento, predominantemente hiperativo-impulsivo e combinado. Dos 12 aos 18 anos, cresce a proporção de adolescentes com apresentação desatenta, enquanto menos de um quarto se enquadra na forma hiperativo-impulsiva.
Entre adultos, poucos apresentam sintomas predominantemente hiperativo-impulsivos. Um estudo estimou essa proporção em 7%. Cerca de um terço tinha o subtipo desatento, e a maioria apresentava uma combinação de sintomas.
Na vida adulta, a hiperatividade pode se manifestar mais como inquietação interna do que como movimento físico. Deepti Anbarasan, professora clínica associada de psiquiatria da Faculdade de Medicina Grossman da Universidade de Nova York, citou a necessidade constante de se manter ocupado. A desatenção pode dificultar a organização da vida prática, a conclusão de tarefas domésticas sem prazo definido e a manutenção do fio de conversas em reuniões ou com o cônjuge.
Ambiente e estratégias influenciam
A evolução dos sintomas também pode estar relacionada ao ambiente. James Swanson, professor de pediatria da Universidade da Califórnia em Irvine, afirmou que problemas familiares, como o divórcio dos pais, podem contribuir para a gravidade do quadro em crianças e adolescentes.
A escola pode ampliar a dificuldade de manter a atenção quando exige atividades pouco atraentes em uma estrutura rígida, segundo Martel. Na vida adulta, os sintomas podem diminuir quando a pessoa encontra um trabalho mais compatível com seu temperamento e sua personalidade.
As formas de enfrentamento também fazem diferença. Pessoas com sintomas predominantemente hiperativo-impulsivos tendem a receber mais intervenções comportamentais, enquanto aquelas com desatenção podem responder melhor à medicação. Para muitas pessoas, especialmente as que têm TDAH combinado, a combinação de estratégias pode ser mais adequada.
O que mostram os acompanhamentos
Ainda não há consenso sobre a parcela de crianças que mantém o TDAH na idade adulta. Uma estimativa frequentemente citada é de cerca de 50%, com maior probabilidade de persistência entre pessoas que tiveram sintomas mais graves na infância e outras condições associadas, como ansiedade, autismo e transtorno desafiador opositivo.
Um estudo longitudinal de 2021 acompanhou crianças com TDAH durante 16 anos. Cerca de 10% apresentaram remissão sustentada até o início da vida adulta, e outros 10% tiveram sintomas durante todo o período. Para a maioria, os sintomas oscilaram.
Pesquisas de neuroimagem também relacionam parte dessas mudanças ao desenvolvimento cerebral. Um estudo constatou que crianças cujos sintomas melhoraram ao longo de dois anos apresentaram um padrão de desenvolvimento cerebral diferente daquele observado em crianças cujos sintomas persistiram ou pioraram.
O acompanhamento ao longo do tempo reforça que o TDAH não é uma condição estática. Para James Swanson, algumas crianças deixam de apresentar o transtorno à medida que crescem, em um processo que ele chama de maturação.


