SÃO PAULO — A Justiça do Trabalho condenou a Marabraz a pagar R$ 10 mil a um vendedor que afirmou ter sido pressionado dentro da empresa durante a eleição presidencial de 2022. A decisão classificou a conduta como assédio eleitoral.
O caso envolve a loja instalada no hipermercado Carrefour, em Jundiaí, no interior paulista, onde o funcionário disse ter trabalhado durante seis anos. Segundo o vendedor, ele foi colocado em um grupo de WhatsApp criado para enviar mensagens sobre a disputa eleitoral.
Uma testemunha afirmou à Justiça que a empresa impunha aos trabalhadores o voto em Jair Bolsonaro (PL). Também relatou que a pressão psicológica era constrangedora e que os funcionários não podiam deixar o grupo. O vendedor declarou ainda que os trabalhadores precisavam enviar uma foto do comprovante de votação, com a indicação da seção e da urna.
A cobrança, conforme o relato apresentado na ação, também envolvia Faouaz Taha (PSDB-SP), candidato a deputado estadual. Uma das mensagens mencionava os donos da empresa e dizia: “Preciso muito da ajuda de vocês na votação”. O funcionário afirmou que havia ameaça de demissão.
A sentença foi proferida pela juíza Camila Moura de Carvalho, do TRT-15 (Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região), que abrange a Região Metropolitana de Campinas e a Aglomeração Urbana de Jundiaí. Para a magistrada, as mensagens comprovaram a prática de assédio eleitoral.
Defesa e situação financeira
A Marabraz ainda pode recorrer. Na defesa, a empresa declarou que os candidatos foram apenas apresentados e negou ameaça, intimidação ou constrangimento. Também afirmou que o processo seria uma tentativa do ex-funcionário de se “locupletar ilicitamente”.
A advogada Cléia Katerine de Souza, que representa o vendedor, afirmou à Justiça que o assédio eleitoral ocorre quando o empregador usa seu poder para coagir, intimidar ou constranger o trabalhador a apoiar determinado candidato.
A rede iniciou suas atividades em 1965, com o nome de Credi-Fares. Em agosto, pediu recuperação judicial para renegociar uma dívida de cerca de R$ 140 milhões. A empresa afirma ter 111 lojas, das quais 25 estão em funcionamento. As outras 86 permanecem temporariamente fechadas por falta de liquidez.


