MACEIÓ — O Ministério Público do Trabalho em Alagoas pediu à Justiça a retirada de publicações atribuídas a Rico Melquiades que contenham dados íntimos, humilhações ou exigências ideológicas relacionadas a trabalhadores. A medida faz parte de uma ação por suposto assédio eleitoral, que também solicita R$ 5 milhões por danos morais coletivos. O montante deverá ser destinado a fundos públicos ou projetos sociais.
O processo tramita na 11ª Vara do Trabalho de Maceió e inclui um pedido de urgência. O MPT também quer que o influenciador publique uma retratação oficial, com o esclarecimento de que a preferência política de um funcionário não pode determinar sua contratação ou demissão.
Procedimentos em duas frentes
De acordo com a ação trabalhista, Rico teria coagido funcionárias domésticas por divergências políticas e divulgado informações pessoais delas nas redes sociais. Para o órgão, as condutas atingiram a dignidade das trabalhadoras. A defesa do influenciador não foi localizada para comentar.
O caso também é investigado pelo Ministério Público Eleitoral, que abriu um procedimento na última segunda-feira (14) para apurar possível crime de coação eleitoral. A apuração menciona um vídeo no qual um influenciador com mais de 12,4 milhões de seguidores pergunta a quatro mulheres quem paga os salários delas e quais são suas preferências políticas.
Segundo a descrição do MPE, uma das mulheres teria sido informada de que seria demitida por sua identificação com um partido. O material foi encaminhado à Polícia Federal para investigação criminal, diante da possível aplicação do artigo 301 do Código Eleitoral. O MPE não identificou Rico pelo nome, mas a descrição do vídeo passou a ser associada a ele.
Retratação nas redes sociais
Na sexta-feira (18), Rico publicou um vídeo no Instagram em que pediu desculpas a brasileiros e trabalhadores que se sentiram ofendidos. Ele afirmou que as mulheres que aparecem na gravação são familiares e autorizaram a publicação. “Nenhum funcionário deve sofrer qualquer tipo de coação por parte de seu empregador”, declarou.
O influenciador havia publicado no sábado (12) uma mensagem associando uma funcionária ao PT e afirmando que ela seria demitida por isso. O vídeo deixou de estar disponível em suas redes sociais.
Em abril, Rico, campeão da 13ª edição do reality show A Fazenda, anunciou filiação ao PSDB de Alagoas para disputar uma vaga de deputado federal nas eleições deste ano. A candidatura não avançou.


