BRASÍLIA — O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou que Luiz Inácio Lula da Silva poderá fortalecer as contas públicas sem promover cortes profundos de gastos caso seja reeleito. A melhora viria da desaceleração do crescimento das despesas obrigatórias, em continuidade a um esforço que, segundo o ministro, já está em curso.
Moretti estima que o resultado primário, indicador que exclui o pagamento de juros, possa melhorar em dois pontos percentuais do PIB ao longo de um eventual novo mandato. A projeção é de passagem de déficit para superávit. “Não acho que isso seja um ajuste fiscal suave”, afirmou.
A proposta de Orçamento de 2027 prevê superávit primário de R$ 18,6 bilhões, equivalente a 0,13% do PIB. O resultado representa uma melhora em relação ao déficit primário projetado de 0,4% do PIB em 2026. Até o fim de um eventual novo mandato, a meta do governo é alcançar superávit primário de 1,5% do PIB.
Para atingir esse objetivo, Moretti disse que serão necessárias novas medidas para conter as despesas obrigatórias, com políticas mais eficientes e crescimento dos gastos compatível com o arcabouço fiscal. Os detalhes ainda precisam ser avaliados por Lula.
A dívida bruta aumentou cerca de 10 pontos percentuais, para 82,5% do PIB, desde o retorno de Lula ao poder, em 2023. O ministro reconheceu que a melhora do resultado primário não resolve sozinha a preocupação com o custo do serviço da dívida, especialmente em um cenário de juros elevados.
Benefícios e crédito subsidiado
Moretti afirmou que a desindexação dos benefícios previdenciários em relação ao salário mínimo não está entre as alternativas consideradas. “A Previdência é um instrumento de proteção social e de redução da pobreza”, disse.
O ministro também defendeu o uso de crédito apoiado pelo governo. O Orçamento de 2027 reserva R$ 97,9 bilhões para empréstimos subsidiados por meio de fundos públicos. Críticos dizem que os programas podem elevar a dívida e aumentar os riscos orçamentários, além de estimular a demanda enquanto o Banco Central tenta levar a inflação para a meta de 3%.
Moretti contestou essa avaliação. Segundo ele, os recursos são liberados gradualmente e não atingem a dívida pública de uma só vez. Ele também rejeitou a hipótese de que os programas provoquem um choque de consumo capaz de dificultar de forma significativa o combate à inflação.
O ministro afirmou ainda que as expectativas de inflação podem sofrer influência de choques de oferta sem relação com a política fiscal doméstica, como o fenômeno climático El Niño e as oscilações dos preços do petróleo. A eleição terá primeiro turno em 4 de outubro e segundo turno três semanas depois.


