A queda dos preços do petróleo concentrou as atenções dos mercados nesta sexta-feira, enquanto investidores avaliavam os possíveis efeitos fiscais do reajuste do Bolsa Família anunciado pelo governo federal na véspera. O ambiente doméstico também foi influenciado pelo cenário político e pela divulgação de novos dados econômicos.
O barril do Brent, referência internacional, recuou 1,05%, para US$ 103,72. O West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, caiu 1,83%, a US$ 100,04 por barril. No acumulado da semana, o Brent avançou 0,37%; no mês, caiu 0,69%; e, no ano, recuou 6,28%. Para o WTI, as variações foram de -1,06% na semana, +4,40% no mês e +14,96% no ano.
A oscilação ocorreu em meio à possibilidade de aumento da oferta. Nesta semana, a Arábia Saudita teria se oferecido para enviar volumes adicionais da commodity por meio do Omã, o que ajudou a reduzir as preocupações com uma eventual interrupção do abastecimento.
Reajuste e impacto fiscal
O governo anunciou aumento de 15% no Bolsa Família. Com a mudança, o benefício médio passará de R$ 675 para R$ 777. Os pagamentos com o novo valor começarão em 19 de outubro, entre o primeiro e o segundo turno, se houver, das eleições presidenciais. A medida deve alcançar 19,3 milhões de famílias.
O Ministério do Planejamento estima custo de R$ 5,8 bilhões neste ano. Para 2027, o impacto nas despesas deverá chegar a R$ 22,7 bilhões. Economistas receberam a decisão com ressalvas e apontaram possíveis efeitos sobre as contas públicas, a inflação e os juros nos próximos anos. O governo informou ainda que analisa novas medidas para enfrentar o endividamento das famílias.
Relançado pelo governo Lula em março de 2023, o programa não passava por reajustes. A equipe econômica afirma que o aumento recompõe a inflação acumulada entre o início do governo e agosto deste ano e nega relação com as eleições de 2026.
“Creio que não [tem relação com as eleições].” A declaração foi dada pelo ministro do Planejamento, Bruno Moretti, que também afirmou haver espaço fiscal disponível para a medida. Apoiadores de Flávio anunciaram que pretendem recorrer à Justiça Eleitoral contra o reajuste.
Nos Estados Unidos, o Dow Jones caiu 0,22%, enquanto o S&P 500 subiu 0,12% e o Nasdaq Composite avançou 0,35%. Na Europa, o STOXX 600 recuou 1,1%, para 635,45 pontos. O DAX caiu 1,60%; o CAC-40, 1,49%; e o FTSE 100, 1,45%.
Na Ásia, o SSEC ganhou 0,94%, o CSI300 subiu 1,06% e o Hang Seng avançou 0,60%. O Nikkei teve alta de 1,38%, e o Kospi valorizou 2,66%. Os investidores aguardam a reunião entre os presidentes da China e dos Estados Unidos, prevista para a próxima semana, enquanto acompanham a elevação da taxa básica de juros pelo Banco do Japão.


