São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,16 · Euro R$ 5,91 · Ibovespa 185.229 +0,00%
Notícia com critério
Economia

Relatório encomendado pelo Fed aponta falhas na reação à crise do SVB

Documento afirma que supervisores conheciam vulnerabilidades do banco, mas não agiram por uma cultura de aversão ao risco.

Relatório encomendado pelo Fed aponta falhas na reação à crise do SVB
Foto: Reuters

A supervisão do Federal Reserve conhecia, ou deveria conhecer, vulnerabilidades que contribuíram para a quebra do Silicon Valley Bank (SVB), mas não tomou medidas por causa de uma cultura de aversão ao risco. Essa é uma das conclusões de um relatório do Starling Advisory Group encomendado por Michelle Bowman, vice-presidente de supervisão do Fed.

Bowman afirmou que o documento não foi elaborado para atribuir culpa e que suas conclusões apontam para a necessidade de uma reforma significativa. Entre as mudanças previstas, os examinadores bancários terão de enviar relatórios mensais aos responsáveis pela supervisão regional, com a identificação de problemas e preocupações.

Falhas apontadas na supervisão

O relatório afirma que os supervisores receberam dezenas de advertências formais sobre o SVB pouco antes da crise. A maior parte dos alertas, porém, tratava de tecnologia, conformidade e riscos operacionais, e não das vulnerabilidades financeiras que levaram à quebra.

Segundo Bowman, os funcionários acreditavam que, do ponto de vista pessoal, seria mais seguro não agir sem ter certeza de que a medida seria exatamente a correta. A falta de clareza sobre quem tinha autoridade para decidir agravou esse comportamento.

O documento também rejeitou a ideia de que falhas na supervisão tenham sido causadas pelas medidas anteriores de flexibilização das regras bancárias. Não foram encontradas evidências de que as redes sociais tenham acelerado a corrida aos saques, como havia indicado o relatório do próprio Fed de 2023.

A avaliação apontou que o SVB foi atingido por grandes perdas contábeis não realizadas em títulos da dívida do governo dos Estados Unidos, que perderam valor depois da alta dos juros em 2022. O banco também dependia de depósitos voláteis de empresas de tecnologia, em sua maioria sem seguro, e não estava operacionalmente preparado para tomar empréstimos do Fed usando ativos como garantia.

Disputa política em Washington

A publicação do relatório foi acompanhada por críticas da Casa Branca a Michael Barr, que comandava a supervisão bancária do Fed no período analisado. O porta-voz Kush Desai disse que Barr não cumpriu seu dever durante a crise. Barr não comentou.

Donald Trump também tem criticado dirigentes do banco central. O governo tentou demitir Lisa Cook por acusações de fraude hipotecária, mas a Suprema Corte dos Estados Unidos bloqueou a iniciativa. Cook nega as acusações.

Uma investigação criminal contra Jerome Powell, aberta por causa de seu depoimento a uma comissão do Senado sobre os custos da reforma da sede do Fed, foi posteriormente arquivada. Powell também nega as alegações. Trump o criticou por não reduzir drasticamente os juros.

Elizabeth Warren, principal democrata na Comissão Bancária do Senado, afirmou que o relatório era uma tentativa de reescrever a história para favorecer uma nova desregulamentação. Bowman, por sua vez, disse que o Fed está enfrentando diretamente o problema cultural ao priorizar riscos à saúde financeira dos bancos e à estabilidade do sistema, em vez de dar ênfase excessiva a procedimentos e documentação.

O mandato de Powell terminou em 15 de maio, e Trump indicou Kevin Warsh para substituí-lo na presidência do Fed. O presidente afirmou que a alta dos juros decidida pelo banco central nesta semana foi aprovada por um conselho muito político, mas não fez críticas a Warsh no mesmo tom usado contra Powell.

Sediado na Califórnia, o SVB foi a segunda maior quebra bancária da história dos Estados Unidos. A crise também levou o Signature Bank e o First Republic ao colapso posteriormente. A turbulência diminuiu depois que os reguladores garantiram todos os depósitos bancários sem seguro.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.