PORTO FELIZ (SP) — A Toyota retomou parcialmente nesta terça (22) a fundição de blocos e cabeçotes de alumínio em sua fábrica de motores em Porto Feliz, no interior de São Paulo. A unidade foi destruída por um vendaval em 22 de setembro de 2025 e ainda funciona em meio a obras de reconstrução.
A área reconstruída está 45% mais resistente, com colunas de metal, mas representa apenas 1/6 da área total da fábrica. A Toyota prevê o retorno de todas as operações fabris no local em 2028. Na etapa atual, a fundição conta com 150 funcionários. A unidade tem 830 trabalhadores, distribuídos entre o espaço original, o galpão provisório do condomínio empresarial DVR e a fábrica de automóveis de Sorocaba. Não houve demissões.
Produção provisória
O fenômeno climático foi definido como uma microexplosão atmosférica. O temporal começou às 13h28, provocou a queda de energia e, três minutos depois, o teto desabou sobre a linha de montagem. Às 13h50, a empresa confirmou que não havia mortes, embora alguns funcionários tivessem sofrido ferimentos leves.
A avaliação dos danos ocorreu às 18h do mesmo dia. A Toyota concluiu que grande parte da fundição não poderia ser recuperada, porque o alumínio havia se solidificado dentro dos fornos. No dia seguinte (23 de setembro de 2025), mais de 800 equipamentos da linha de montagem foram destinados à retirada.
Sem motores, a produção de veículos em Sorocaba foi interrompida, e o lançamento do Yaris Cross foi adiado. A montagem voltou em 3 de novembro apenas para as versões híbridas da linha Corolla, equipadas com motores importados do Japão e da Indonésia.
Em 26 de setembro de 2025, a empresa decidiu transferir temporariamente a produção para o condomínio empresarial DVR, a 11 km da linha de montagem de veículos. O galpão foi adaptado à sequência de fabricação dos motores, com instalação de terminais elétricos e reforços para suportar os equipamentos.
A montagem no espaço provisório começou em 26 de janeiro. O primeiro motor concluído foi um 1.5 híbrido flex. Desde então, 42 mil motores foram construídos no local. A operação provisória também recebeu os moldes de fundição dos blocos 1.5 do Yaris Cross e dos motores 2.0 da linha Corolla, transferidos para o Japão. Como essa etapa não poderia ser realizada no DVR, a fundição foi priorizada na reconstrução da fábrica original.
Após o vendaval, a Toyota criou um comitê voltado às possíveis consequências do El Niño. A reconstrução passou a considerar a ocorrência de novos fenômenos climáticos extremos na região. A apólice de seguros não cobriu o lucro cessante nem todo o prejuízo. A montadora não informou o valor gasto na reconstrução de Porto Feliz.


