A desaceleração do crédito de longo prazo foi um dos sinais considerados pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na avaliação sobre os efeitos dos juros na economia. Em ata divulgada pelo Banco Central nesta terça-feira (22), o colegiado afirmou ter identificado perda de força nas modalidades mais sensíveis à política monetária.
O documento também registra que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, na comparação com os três meses imediatamente anteriores. O resultado veio depois de uma alta de 1,1% no primeiro trimestre. A redução da taxa que mede o consumo das famílias contribuiu para o desempenho mais fraco.
"A leitura mais recente do PIB [Produto Interno Bruto], referente ao segundo trimestre de 2026, confirmou a desaceleração apontada por outros indicadores", afirmou o Copom. Para o comitê, o movimento teve maior intensidade nas atividades econômicas e nos componentes da demanda mais expostos ao ciclo econômico.
No mercado de crédito bancário com recursos livres, a ata aponta redução nas operações de prazo mais longo. O Copom destacou que essas modalidades são mais sensíveis à política monetária do que as de curto prazo ou emergenciais, que têm custo mais elevado.
Inflação e juros
As leituras recentes indicaram queda da inflação ao consumidor, tanto no índice cheio quanto na média das medidas subjacentes. O IPCA desacelerou para 4,22% no acumulado de 12 meses até agosto, em parte pela redução da conta de luz associada ao efeito temporário do bônus de Itaipu.
Na última quarta (16), o Copom reduziu a Selic pela quinta vez consecutiva, em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano. Desde o início do movimento de queda, em março, foram cinco cortes de mesma intensidade, com redução acumulada de 1,25 ponto percentual.
O colegiado, sob a gestão de Gabriel Galípolo, não antecipou decisões futuras e manteve a orientação de que os próximos passos dependerão dos dados. A ata afirma que o tamanho total do ciclo de cortes será definido "à luz de novas informações", com o objetivo de conduzir a inflação à meta de 3%.
No cenário de referência, a estimativa para a inflação deste ano passou de 5,1% para 5,2%. Para 2027, subiu de 3,8% para 3,9%. A projeção para o primeiro trimestre de 2028 permaneceu em 3,2%.
O Copom voltará a se reunir nos dias 3 e 4 de novembro. O alvo central do Banco Central é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. O intervalo considerado vai de 1,5% a 4,5%.


