O Brasil manteve o maior juro real do mundo depois que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. A decisão, tomada nesta quarta-feira (16), foi unânime e representa o quinto corte consecutivo da taxa básica.
O juro real, calculado a partir da taxa nominal descontada a inflação prevista para os próximos 12 meses, ficou em 8,45% no país, de acordo com levantamento compilado pelo MoneYou. A Rússia aparece em seguida, com 6,79%, e a Colômbia ocupa a terceira posição, com 6,33%.
A autoridade monetária afirmou que os dados recentes indicam moderação gradual da atividade econômica, sobretudo nos setores mais cíclicos. O mercado de trabalho, porém, continua aquecido. A inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram, mas permanecem acima da meta, embora abaixo do limite superior do intervalo de tolerância.
O mercado financeiro reduziu de 5% para 4,9% a projeção de inflação para 2026, conforme o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (14). O Copom também informou que acompanha os efeitos da política fiscal doméstica sobre a condução dos juros e os ativos financeiros.
“Essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante”, afirmou o comitê. A próxima reunião ocorrerá depois do segundo turno das eleições, sem indicação sobre os próximos passos da política monetária.
A decisão brasileira ocorreu no mesmo dia em que o Federal Reserve elevou os juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. O movimento encerrou uma sequência de cinco reuniões com taxas inalteradas. O Fed apontou a expansão sólida da atividade econômica e a resiliência dos gastos domésticos, em meio à incerteza provocada por acontecimentos geopolíticos.
No Brasil, o sistema de metas considera como objetivo uma inflação de 3%, com tolerância entre 1,5% e 4,5%. As decisões do Banco Central levam em conta as projeções futuras, porque os efeitos da Selic sobre a economia podem demorar de seis a 18 meses para aparecer plenamente. Para 2026, 2027 e 2028, as estimativas do mercado são de 4,9%, 4,3% e 3,80%, respectivamente.


