O Brasil tinha 1,805 milhão de pessoas trabalhando por meio de plataformas digitais de serviços em 2025, segundo dados da PNAD Contínua divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O grupo correspondia a 1,9% da população ocupada, estimada em 102,4 milhões de pessoas.
A maioria, 1,805 milhão ou 92,1% do total, utilizava os aplicativos como principal fonte de trabalho. Outras 182 mil pessoas recorriam às plataformas na atividade secundária, enquanto 28 mil usavam esse tipo de serviço tanto no trabalho principal quanto no secundário.
Os aplicativos de transporte particular de passageiros, como Uber e 99, concentravam 58,9% dos trabalhadores, cerca de 1,2 milhão de pessoas. Os aplicativos de entrega reuniam 29,9%. A pesquisa também incluiu plataformas de serviços gerais e profissionais, usadas em atividades como faxinas, cuidados de pessoas, reformas, tradução, redação, programação, design, serviços jurídicos e consultas on-line.
Crescimento e perfil dos trabalhadores
Considerando apenas o trabalho principal, o número de pessoas que atuavam por plataformas passou de 1,319 milhão em 2022 para 1,805 milhão em 2025, alta de 36,8%. Entre 2024 e 2025, o crescimento foi de 9,1%.
Os trabalhadores de serviços gerais ou profissionais tiveram aumento de 55,4% desde 2022, passando de 193 mil para cerca de 300 mil pessoas. No transporte de passageiros, a expansão foi de 37,8%; nos aplicativos de entrega, de 19,3%.
O grupo era formado principalmente por homens, que representavam 84,4% dos trabalhadores, enquanto as mulheres correspondiam a 15,6%. A faixa etária de 25 a 39 anos concentrava 47% do total. Além disso, 86,8% trabalhavam por conta própria e apenas 4,5% eram empregados com carteira assinada.
Rendimento e jornada
O rendimento médio mensal dos trabalhadores de plataformas foi de R$ 3.147 em 2025, praticamente igual ao dos demais trabalhadores do setor privado, de R$ 3.148. A jornada, porém, era maior: 44,7 horas por semana, contra 39,3 horas.
Por hora trabalhada, os plataformizados recebiam R$ 16,20, enquanto os demais trabalhadores recebiam R$ 18,40. O rendimento por hora dos trabalhadores de aplicativos era 12% menor. Entre 2022 e 2025, a renda desse grupo variou 1%, ante crescimento de 10,6% entre os demais trabalhadores.
A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) defendeu uma regulamentação que contemple a flexibilidade da jornada e a diversidade dos modelos de negócios.
Dependência das plataformas
Em 2025, o IBGE investigou pela primeira vez a frequência de uso e a quantidade de plataformas utilizadas pelos trabalhadores. Entre os 1,8 milhão que usavam aplicativos no trabalho principal, 62,7%, ou 1,1 milhão, trabalhavam exclusivamente por meio deles. Outros 21,6% trabalhavam majoritariamente por plataformas, enquanto 15,7% realizavam os serviços principalmente por outros meios.
A maioria também usava apenas um aplicativo: 62,5% trabalhavam com uma única plataforma, 30% utilizavam duas e 7,5% recorriam a três ou mais. Ao combinar frequência e quantidade, 38,8%, ou 701 mil trabalhadores, trabalhavam exclusivamente por plataformas e usavam apenas um aplicativo.
O IBGE aponta que a concentração pode deixar esses trabalhadores mais sujeitos às decisões das empresas responsáveis pelas plataformas. Entre motoristas de transporte particular, 80,2% disseram que o aplicativo determinava totalmente o valor recebido por tarefa. Entre entregadores, a proporção era de 78,3%.
A flexibilidade foi o principal motivo para atuar por plataformas, citado por 26,8% dos trabalhadores no emprego principal. Outros 24,6% disseram não ter encontrado outro trabalho, 20,8% afirmaram que a renda era maior que em outras opções e 16,6% usavam os aplicativos para complementar os ganhos.
Motoristas e comerciantes
Entre 1,974 milhão de condutores de automóveis no trabalho principal, 905 mil, ou 45,9%, trabalhavam por aplicativos. O rendimento mensal médio era de R$ 2.873, contra R$ 2.805 dos demais motoristas, mas a jornada chegava a 45,9 horas semanais, ante 40,4 horas. O rendimento por hora era de R$ 14,40, contra R$ 16.
Entre os motociclistas, 405 mil dos 1,179 milhão de condutores trabalhavam por aplicativos em 2025. O grupo cresceu 91,9% desde 2022. O rendimento mensal médio era de R$ 2.221, contra R$ 1.802 entre os demais motociclistas.
A PNAD também analisou plataformas de comércio eletrônico usadas por pessoas que exploravam o próprio negócio. Havia aproximadamente 5 milhões nessa situação, dos quais 210 mil, ou 4,2%, utilizavam essas ferramentas para obter clientes e vender produtos. Nesse grupo, 58,1% eram mulheres, e o rendimento médio era 44,4% superior ao dos comerciantes que não usavam plataformas.


