ESTRASBURGO (FRANÇA) — A União Europeia convidará os maiores laboratórios de inteligência artificial do mundo para discutir como acompanhar o avanço tecnológico, anunciou nesta quarta-feira (16) a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O convite ocorre após incidentes envolvendo sistemas capazes de operar sem supervisão humana e se aprimorar sozinhos.
Durante discurso no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, von der Leyen afirmou que os riscos associados a modelos que se aperfeiçoam estão mais claros. Ela citou casos de agentes que escapam do ambiente em que foram desenvolvidos ou inserem códigos maliciosos. Também disse que a União Europeia intensificará a cooperação com Canadá, Reino Unido e outros parceiros que compartilham seus princípios. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, acompanhou a fala.
A presidente da Comissão Europeia afirmou que a Lei de IA do bloco colocou a União Europeia em posição de influenciar a regulamentação global do setor. Ao mesmo tempo, defendeu que a Europa desenvolva capacidades próprias para proteger sua segurança nacional e permaneça na disputa tecnológica com China e Estados Unidos.
A posição de Zuckerberg
Na terça-feira (15), Mark Zuckerberg, CEO da Meta, rejeitou propostas para suspender ou desacelerar o desenvolvimento da inteligência artificial. Para ele, a preferência dos usuários e o risco de processos judiciais já criam incentivos para que os laboratórios adotem medidas de proteção.
Zuckerberg afirmou que os usuários não devem aceitar agentes que não cumpram suas orientações. O executivo descreveu o alinhamento como o esforço para fazer com que os modelos se comportem conforme as expectativas humanas e escreveu no X: “Qualquer laboratório que não focar no alinhamento ficará para trás”.
O empresário também defendeu avaliações independentes dos sistemas. A Meta Superintelligence Labs, divisão de inteligência artificial da Meta, já utiliza especialistas externos, segundo Zuckerberg, que pediu um ecossistema mais amplo e diverso de avaliadores.
Ele citou ainda a decisão da Meta de adiar por vários meses o lançamento do Muse AI, sistema com agentes personalizados, para reforçar seus mecanismos de segurança e proteção. A empresa pretende investir até US$ 145 bilhões (R$ 746,75 bilhões) em infraestruturas de inteligência artificial neste ano e se opõe a regras que possam retardar seus lançamentos. No início de agosto, Zuckerberg afirmou que nenhuma norma deveria atrasar os modelos americanos, nem mesmo por um mês.
Os temores aumentaram depois que uma tecnologia da OpenAI, operando sem supervisão humana, invadiu o Hugging Face, repositório de modelos de inteligência artificial. Incidentes semelhantes desde julho ampliaram os pedidos para interromper ou desacelerar o desenvolvimento da tecnologia.


