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Internacional

Arquivos de Nova York reabrem debate sobre doenças ligadas ao 11 de Setembro

Dados oficiais apontam 57 mil casos de câncer reconhecidos após a exposição ao ar tóxico dos atentados, contra 5.600 há dez anos.

Arquivos de Nova York reabrem debate sobre doenças ligadas ao 11 de Setembro
Foto: Shannon Stapleton/Reuters

A divulgação de mais de 170 mil arquivos mantidos sob sigilo pela Prefeitura de Nova York pode ampliar as pesquisas sobre os efeitos à saúde dos atentados de 11 de Setembro. Os documentos mostram falhas na resposta oficial e foram liberados pelo prefeito Zohran Mamdani após pressão popular e judicial que se prolonga há duas décadas.

Os registros reabrem a discussão sobre a orientação dada à população e às equipes de resgate. Há 25 anos, autoridades disseram aos nova-iorquinos que era seguro permanecer nas ruas próximas à área atingida e minimizaram a importância de equipamentos de proteção, como máscaras. A região estava exposta a centenas de substâncias cancerígenas, entre elas o amianto liberado com o desabamento de materiais de construção e estruturas de infraestrutura.

Reconhecimento das doenças

Os dados oficiais mais recentes, de agosto passado, registram ao menos 57 mil casos de câncer reconhecidos como relacionados ao ar tóxico que tomou o sul de Manhattan durante e depois dos ataques. Há dez anos, eram 5.600 casos. A expansão resulta tanto do aumento dos diagnósticos quanto de pesquisas científicas, estudos clínicos e disputas judiciais que fortaleceram a relação entre as doenças e a exposição.

Criado em 2010, o Programa de Saúde World Trade Center reúne atualmente 139,4 mil condições de saúde relacionadas ao 11 de Setembro. Uma mesma pessoa pode apresentar mais de uma condição. As doenças respiratórias são as mais numerosas, seguidas pelos cânceres e pelos problemas de saúde mental.

Entre os tipos de câncer mais frequentes estão os de pele, próstata, mama, linfoma, tireoide, rim e pulmão. Socorristas, incluindo bombeiros aposentados ou em atividade, formam o principal grupo de vítimas atendidas pelo programa. Em seguida estão os chamados sobreviventes, pessoas que estavam na região sem atuar no resgate.

Evidências e acesso ao atendimento

Desde 2010, o Departamento de Bombeiros de Nova York tem apontado maior incidência de câncer entre trabalhadores de resgate expostos à fumaça e aos detritos. Estudos identificaram nos bombeiros que atuaram na área três vezes mais chances de apresentar determinadas mutações do que naqueles que não foram enviados para a tarefa. Entre os que tinham essas mutações, a probabilidade de desenvolver leucemia era quase seis vezes maior.

O advogado Matthew McCauley representa sobreviventes e socorristas que receberam diagnósticos anos depois dos atentados e ainda buscam o reconhecimento judicial da relação com a exposição. Ex-paramédico, ele ajudou nos resgates dos escombros e passou a atuar na defesa das vítimas. McCauley também assina o processo que levou à liberação dos arquivos.

“Se uma pessoa teve certo nível de exposição no dia e trabalhou no local, ela se qualifica para programas de saúde públicos”, afirmou McCauley. Ele disse que os documentos podem contribuir para pesquisas sobre as condições de saúde das vítimas.

A brasileira Maria Nelly, 27, natural de Maceió, trabalha com McCauley no atendimento às famílias. Segundo ela, muitos clientes são mais velhos, têm entre 60 e 80 anos e chegam com a doença em estágio avançado. Parte deles desconhecia que poderia receber ajuda do Estado.

“São em geral mais velhos, de 60 a 80 anos, e alguns com estágios da doença já muito avançados”, disse Maria Nelly.

Grupos ainda fora do programa

McCauley afirma que os arquivos podem ajudar a avaliar situações ainda não contempladas pelo programa. Ele cita pessoas que estavam no útero no momento dos ataques. Mulheres grávidas naquela ocasião podem ser elegíveis, mas os filhos não, a menos que tenham sido levados novamente à área afetada depois do nascimento.

Ao menos 2.753 pessoas morreram nos ataques ao World Trade Center, incluindo as vítimas das duas torres, dos dois aviões usados para atingir os prédios e das áreas próximas. Desse total, 40% continuam sem identificação.

Na época dos atentados, Nova York era governada por Rudy Giuliani, 82. Anos depois, ele afirmou que uma doença pulmonar restritiva estaria relacionada ao ar tóxico dos ataques e pediu que o Estado pagasse seu tratamento para uma pneumonia.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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