WASHINGTON — Xi chegou na noite de quarta-feira (23) a Washington para uma reunião bilateral com Trump, marcada para esta quinta-feira (24). A inteligência artificial está entre os principais pontos de tensão entre os Estados Unidos e a China, em meio à disputa pelo domínio da tecnologia e a medidas de restrição adotadas pelos dois países.
Os EUA limitam as exportações dos chips de IA mais potentes para a China e acusaram desenvolvedores chineses de acessar modelos americanos em escala industrial para extrair suas capacidades. Pequim afirma que a chamada destilação é usada amplamente, inclusive por empresas americanas, e criticou o que considera uma tentativa dos EUA de monopolizar o setor.
Na segunda-feira (21), Trump afirmou nas redes sociais que os EUA estão à frente da China e que não iria restringir a expansão da tecnologia. Nas últimas semanas, ele também tem defendido o avanço da inteligência artificial, apesar dos alertas de CEOs e representantes de empresas do setor sobre os riscos de um desenvolvimento sem controle. “Quem vencer na IA, vence tudo”, disse Trump.
A China, por sua vez, busca formular novas diretrizes globais de segurança para a IA e tenta obter apoio de nações em desenvolvimento. Em um artigo, Chen Yixin, chefe do Ministério da Segurança do Estado da China, afirmou que a tecnologia pode ameaçar diretamente o domínio do Partido Comunista caso forças estrangeiras e hostis alcancem capacidades superiores.
Agenda e segurança
Scott Bessent, secretário do Tesouro, disse no domingo (20), após encontro com o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng em Nova York, que os EUA propuseram um mecanismo de notificação para incidentes de IA capazes de afetar a segurança nacional. “Passar da opacidade para uma maior transparência entre a primeira e a segunda maiores potências de IA do mundo é muito importante”, afirmou.
Além da reunião bilateral, Xi e Trump participarão de uma revista de tropas, de uma recepção e de um jantar na Casa Branca nesta quinta-feira (24). Na sexta-feira (25), uma cerimônia do chá oferecida por Melania Trump e uma visita ao Arquivo Nacional encerram a visita oficial, antes do retorno de Xi e sua mulher a Pequim.
As relações entre os dois países também envolvem Taiwan. Os EUA são obrigados por lei a fornecer meios para que a ilha se defenda, enquanto Pequim rejeita essa posição. Três fontes familiarizadas com as discussões antes da cúpula disseram que a China pode apresentar sua interpretação do terceiro dos três comunicados conjuntos assinados em 1982.


